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segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Francisco de Aquino Correia, ou simplesmente "Dom Aquino Correia"


Francisco de Aquino Correia
(Cuiabá, 2 de abril de 1885 — São Paulo, 22 de março de 1956) foi arcebispo de Cuiabá e governante de Mato Grosso. Foi também poeta e escritor, e foi ainda o primeiro mato-grossense a pertencer à Academia Brasileira de Letras (Quarto ocupante da Cadeira 34, eleito em 9 de dezembro de 1926, na sucessão de Lauro Müller e recebido pelo Acadêmico Ataulfo de Paiva em 30 de novembro de 1927). Foi também um dos principais incentivadores à fundação da Academia Mato-grossense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso.

Era filho do casal Antônio Tomás de Aquino Correia e Maria de Aleluia Guadie Ley (1847-1867), filha de Joaquim Gaudie Ley e neta de André Gaudie Ley. Iniciou os estudos no Colégio São Sebastião e fez o curso no Seminário da Conceição. Depois, passou a freqüentar o Liceu Salesiano de São Gonçalo, onde recebeu o grau de bacharel em Humanidades. Em 1902, ingressou no Noviciado dos Salesianos de Dom Bosco em Cuiabá, ordenando-se sacerdote em 1903 e iniciando o curso de Filosofia. Em 1904, seguiu para Roma, onde matriculou-se, simultaneamente, na Universidade Gregoriana e na Academia São Tomás de Aquino, por onde haveria de doutorar-se em Teologia, em 1908. Em 17 de janeiro de 1909, já tendo recebido todas as Ordens Menores e Maiores, foi ordenado presbítero.

De volta ao Brasil, foi nomeado diretor do Liceu Salesiano de Cuiabá, cargo que desempenhou até 1914, quando foi designado, pelo Papa Pio X, para titular do Bispado de Prusíade e Auxiliar do Arcebispo da Diocese de Cuiabá, cargo em que foi investido em 1º de janeiro de 1915, aos 29 anos, sendo, então, o mais jovem bispo do mundo.

Em 1919, o papa Bento XV conferiu-lhe os títulos de Assistente do Sólio Pontifício e Conde Palatino. Em 1921, com o falecimento do Arcebispo Dom Carlos Luís de Amour, foi elevado ao Arcebispado de Cuiabá, recebendo o Pálio Arcepiscopal das mãos de Dom Duarte Leopoldo e Silva, arcebispo de São Paulo.


Influente na Política


Em 1917, indicado pelo governo de Venceslau Brás como elemento conciliador, fora eleito governador de Mato Grosso para o período de 1918-1922. Ali se manteve à altura de sua consciência democrática, de sua capacidade construtiva e de seu profundo sentimento patriótico. Amparou a cultura regional, tomando a iniciativa de fundar a Academia Mato-grossense de Letras onde, depois, como titular, seria aclamado por unanimidade Presidente de Honra. Criou também o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, do qual foi eleito Presidente Perpétuo.

Suas Obras

  • Odes, poesia, 2 vols. (1917)
  • Terra natal, poesia (1920)
  • A flor d'aleluia, poesia (1926)
  • Discursos, oratória (1927)
  • O Brasil novo, discurso (1932)
  • Castro Alves e os moços, discurso (1933)
  • Oração aos soldados, discurso (1937)
  • O Padre Antônio Vieira, discurso (desconhecida)
  • Nova et vetera, poesia (1947)
  • Cartas pastorais, ensaios e conferências publicadas na imprensa do país, não reunidas em livro.

Escreveu ainda obras de geografia e história: A fronteira de Mato Grosso/Goiás, memória sobre os limites entre os dois estados, e o Brasil em Genebra (1919).

Fonte: Wikipedia

Fique então com uma amostra maior do que Dom Aquino representa para Mato Grosso no cenário da poesia e da literatura nacional, no texto que encontrei no excelente site http://www.antoniomiranda.com.br, na seção "Poesia dos Brasis".


DOM AQUINO CORRÊA



D. Aquino Correia (nome civil: Francisco A. C.), sacerdote, prelado, arcebispo de Cuiabá, poeta e orador sacro, nasceu em Cuiabá, MG, em 2 de abril de 1885, e faleceu em São Paulo, SP, em 22 de março de 1956. Eleito em 9 de dezembro de 1926 para a Cadeira n. 34, na sucessão de Lauro Müller, foi recebido em 30 de novembro de 1927, pelo acadêmico Ataulfo de Paiva.

Era filho do casal Antônio Tomás de Aquino e Maria de Aleluia Guadie-Ley Correia. Cedo revelou sua inteligência, amor aos estudos e vocação religiosa. Iniciou os estudos no Colégio São Sebastião e fez o curso no Seminário da Conceição. Depois passou a freqüentar o Liceu Salesiano de São Gonçalo, onde recebeu o grau de bacharel em humanidades. Em 1902 ingressou no Noviciado dos Padres Salesianos de D. Bosco em Cuiabá, ordenando-se sacerdote em 1903 e iniciando o curso de Filosofia. Em 1904 seguiu para Roma, onde matriculou-se, simultaneamente, na Universidade Gregoriana e na Academia São Tomás de Aquino, por onde haveria de doutorar-se em Teologia, em 1908. Em 17 de janeiro de 1909, já tendo recebido todas as Ordens Menores e Maiores, foi ordenado presbítero.

De volta ao Brasil, foi nomeado diretor do Liceu Salesiano de Cuiabá, cargo que desempenhou até 1914, quando foi designado, por SS. Pio X, para titular do Bispado de Prusíade e Auxiliar do Arcebispo da Diocese de Cuiabá, cargo em que foi investido em 1o de janeiro de 1915, aos 29 anos, sendo, então, o mais moço entre todos os bispos do mundo.

Em 1919, o papa Bento XV conferiu-lhe os títulos de Assistente do Sólio Pontifício e Conde Palatino. Em 1921, com o falecimento do Arcebispo Dom Carlos Luís de Amour, foi elevado ao Arcebispado de Cuiabá, recebendo o Pálio Arcepiscopal das mãos de Dom Duarte Leopoldo e Silva, arcebispo de São Paulo. Em 1917, indicado pelo governo de Venceslau Brás como elemento conciliador, fora eleito governador do seu Estado para o período de 1918-1922. Ali se manteve à altura de sua consciência democrática, de sua capacidade construtiva e de seu profundo sentimento patriótico. Amparou a cultura regional, tomando a iniciativa de fundar a Academia Mato-grossense de Letras onde, depois, como titular, seria aclamado por unanimidade Presidente de Honra. Criou também o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, do qual foi eleito Presidente Perpétuo.

Autor de inúmeras e notáveis Cartas pastorais, de discursos, trabalhos históricos e poesias, D. Aquino Correia publicou Odes, o seu primeiro livro de versos, em 1917, seguido de Terra natal, onde reuniu poemas de exaltação a Mato Grosso e ao Brasil, cheios de suave lirismo e fascínio pelo seu torrão.

"Há, na poesia de D. Aquino disse o embaixador e acadêmico José Carlos de Macedo Soares um forte lirismo que combina bem com o seu poder descritivo, não só quando ele narra um episódio, como também quando invoca uma paisagem ou simplesmente uma viva emoção."

Mais tarde deu a público alguns trabalhos em prosa. O escritor escorreito está em todas essas páginas, tantas delas revelando o interesse de D. Aquino pelas coisas nacionais.

O seu domínio na tribuna pública era absoluto. Não só como orador sacro era admirado, senão também na tribuna das conferências, como o confirmou, em várias entidades culturais. Destacam-se a conferência magnífica sobre o "Centenário do Bispado de Cuiabá", proferida no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, onde foi recebido em 1926; a "Mensagem aos homens de letras", proferida na Academia Brasileira de Letras; "A verdade da Eucaristia", oração inaugural do V Congresso Eucarístico de Porto Alegre, em 28 de outubro de 1948.

Obras: Odes, poesia, 2 vols. (1917); Terra natal, poesia (1920); A flor d’aleluia, poesia (1926); Discursos, oratória (1927); O Brasil novo, discurso (1932); Castro Alves e os moços, discurso (1933); Oração aos soldados, discurso (1937); O Padre Antônio Vieira, discurso (s.d.); Nova et vetera, poesia (1947); cartas pastorais, ensaios e conferências publicadas na imprensa do país, não reunidas em livro. Escreveu ainda obras de geografia e história: A fronteira de Mato Grosso Goiás, memória sobre os limites entre os dois estados, e o Brasil em Genebra (1919).

Gentileza Academia Brasileira de Letras www.academia.org.br, transcrito em:

http://www.biblio.com.br/conteudo/biografias/domaquinocorreia.htm

Poema extraído da obra CHUVA DE POESIAS, CORES E NOTAS NO BRASIL CENTRAL, 2 ed., de Sônia Ferreira. Goiânia:Editora da UCG; Editora Kelps, 2007, com a autorização da autora.



DEUS!



Quem fez, ó minha alma, estas verdes campinas,

Quem fez a bonina, quem fez estes céus?

Quem fez nestas vargens as lindas palmeiras,

Louçãs e altaneiras, quem foi, senão Deus?



Quem fez esses astros que brilham nos ares,

Quem fez dos luares os fúlgidos véus?

Quem fez essas aves gazis e canoras,

Quem fez as auroras, oh! quem, senão Deus?



Quem fez esse plácido olhar do inocente

Que fala, eloqüente, até mesmo aos incréus?

Quem fez o sorriso das mães carinhosas,

Melhor do que as rosas, quem foi, senão Deus?



Quem foi que te deu, com a fé e a esperança,

O amor, essa herança negada aos ateus?

Oh! quem contará outras dádivas santas,

Tão ricas e tantas, que houveste de Deus?



São mais, muito mais que as infindas estrelas,

Que orvalham, tão belas, o azul destes céus;

São mais do que as flores gentis desta terra,

Que, entanto, as encerra infinitas, meu Deus!



Quem, pois, ó minha alma, tem tantos direitos

Aos férvidos preitos dos cânticos teus?

A quem votarás dos teus santos amores

As místicas flores; a quem? só a Deus!








AS LAVRAS DO SUTIL



Antemanhã, quando no céu de leste,

Mal se esgarçava em luz a noite mansa,

Miguel Sutil de Sorocaba avança,

Rumo ao mistério do sertão agreste.



Estrada longa e atroz! Mas ele a investe,

Com redobrado heroísmo, e não se cansa.

Vão-lhe à frente dois índios, e a Esperança

Visões de ouro não há, que não lhe empreste.



E ei-los que chegam a estes sítios belos,

Onde o outro excede todos os castelos,

Do sonho audaz do bandeirante. Lá,



Ao longe, em praias verdes e desertas,

Faiscava o rio... Estavam descobertas

As minas imortais do Cuiabá.








CORUMBÁ



Qual outrora, ao mirífico arrepio

Da onda azul do mar Jonio, a deusa Venus,

Assim nasceste, sob os céus serenos,

À flor do lindo pantanal bravio.



Tão bela é tu, que o teu selvagem rio,

Ao morder estes céspedes amenos,

Dá longas voltas por que possa, ao menos,

Contemplar teu mimoso casario.



E uma vez ele viu (hórrido agouro!)

Ai! Viu-te, como Andrômeda no oceano,

Amarrada a este escolho negro e duro.



Mas tu, calçando-te os talares de ouro

De Mercúrio, largaste o vôo ufano,

Para este azul glorioso do futuro!








RIO ARAGUAIA



Rio que rolas majestosamente,

Sobre diamantes, na itaipava hirsuta!

Não mais te abala, na selvagem luta,

Do bravo Ubirajara o grito horrente!



Não mais, à flor da lânguida corrente,

Por onde o boto espalma a cauda bruta,

Não mais o silvo do vapor se escuta,

Ondeando, além, na praia alvinitente!



Não mais! Não mais! Silêncio... a tarde finda,

E as onda beijam os destroços vagos

De velhas naus, numa elegia infinda...



Mas do teu fado nos castelos magos,

A Glória dorme, com dorme ainda

A pérola na concha dos teus lagos!





Terra Natal. 2ª. ed. 1922





“INDEPENDÊNCIA OU MORTE”



À “Brigada Branca” dos Colégios Salesianos





Foi sobre a tarde, quando o sol declina,

Hora divina das contemplações,

Hora do Gólgota, sublime hora,

Marcada outrora para as redenções.



Deus decretara redimir a terra,

Que o nome encerra da sagrada Cruz,

E a um jovem príncipe entregou a espada

Dessa cruzada de infinita luz.



O herói passava, em seu ginete airoso,

Ao sol radioso, que esmaltava os céus:

O ideal fremia-lhe na fronte inquieta,

Era a silhueta de um estranho deus!



Tinha a seus pés, por pedestal, o outeiro

Alvissareiro do Ipiranga em flor;

E a brisa e as árvores e a onda flava,

Tudo cantava de esperança e amor!



E quando ergueu aquele sabre de ouro,

E como estouro de vulcão fatal,

Rugiu nos céus: “Independência ou Morte”

Tinha no porte, um heroísmo ideal!



Responde ao grito, e, delirante, brada

A cavalgada, que nos fez nação;

E o luso tope, que algemava os braços,

Rola em pedaços no brasílio chão!



Entanto o grito: “Independência ou Morte!”

De sul a norte, num fulmíneo ecoar,

Livres bandeiras pelo azul desata,

Numa fragata lá transpõe o mar!



Desde o Itatiaia, que assoberba os ares,

Até Palmares, repercute a voz:

Ouvem-na os manes dos fatais guerreiros,

Dias, Negreiros e Poti feroz.



Sorri-lhe o espírito imortal de Anchieta,

Anjo e poeta, que o Senhor nos deu;

E, do além túmulo, como que suspira

A infausta lira do gentil Dirceu.



Brota de tudo, e se ouve um hino ardente,

Ardentemente, pelo azul cantar,

Um como hino de Natal que erra,

Do céu à terra, e da montanha ao mar!



E qual Andrômeda, sorrindo agora,

A voz canora do novel Perseu,

Tal surge a Pátria do Cruzeiro lindo,

Livre, sorrindo, para o azul do céu!



Sublime grito: “Independência ou Morte!”

Que o jugo forte do opressor destróis!

Da liberdade és o fatal dilema,

O eterno lema de um país de heróis!



Não és o grito da anarquia infame,

Que espuma e brame, contra Deus e o rei;

Tu és o cântico da liberdade,

Que não evade os muralhões da lei!



Tu és um raio dessa Cruz bendita,

Que além palpita, em nossos puros céus;

És o diadema de uma Pátria ingente,

Que, livre e crente, só se humilha a Deus!



1917





terça-feira, 22 de julho de 2008

Pra mim foi um verdadeiro e delicioso "depoimento"...


No Bico de um Tuiuiú


O tempo em que morei em Campo Grande (MS), quando criança, me ensinou lições, cuja riqueza, até hoje, não alcanço compreender. Paulistinha metida à besta, logo, logo, eu já chamava todo mundo de "guri", "guria" e fazia careta para tomar tererê. Comia muito churrasco na Cabana, Av. Afonso Pena e saía dançando pelo restaurante, ao som das "guaranyas". A harpa tocava e eu imergia... Há uma (a minha favorita), "Saudade", de autoria do escritor mineiro Mário Palmério, que a compôs quando foi embaixador do Brasil no Paraguai, e diz assim:


"Si insistes en saber lo que es saudade,
Tendrás que antes de todo conocer,
Sentir lo que es querer, lo que es ternura,
Tener por bien un puro amor, vivir!
Después comprenderás lo que es saudade
Después que hayas perdido aquel amor
Saudade es soledad, melancolía,
Es lejanía, es recordar, sufrir!"

A gente também logo aprende que Campo Grande é a capital do estado do Mato Grosso DO SUL, e não do Mato Grosso, como o resto do país teima em afirmar. A capital do MT é Cuiabá, CUI-A-BÁ! Terra quente, 40o.C à sombra, no verão! rs E "Centro Geodésico da América do Sul"! rs Cuiabá também é parte desse tempo em que fui "moreninha" e estudava com os "bugres" (que me davam alegremente a sua merenda de farofa de paçoca... rs). O que mais me lembro de Cuiabá tem justamente a ver com um imenso azul, escancarado no céu, e muito calor, do clima, da exuberante natureza, humano.

Aliás, Deus caprichou quando fez o MT. Se bem que o Pantanal está 2/3 no MS, que fique bem claro rs, o MT tem 1/3 do Pantanal, tem o cerrado e um bom pedaço da Amazônia. A Chapada dos Guimarães fica lá também. Precisava tanto? Não é à toa que o meu amigo Oscar Luiz é biólogo! O que mais se pode fazer no MT, além de se fartar da natureza? (É preciso outra coisa pra ser feliz?). O negócio é se imiscuir, promiscuir, rolar na lama, brincar com capivara e se esconder do tuiuiú. Sim, em pleno Pantanal, de madrugada, minha família e eu corremos para fugir do tuiuiú, cujo canto forte nos afugentou para dentro da Belina do meu pai. O Tuiuiú veio, passou e nós não o vimos, mas eu nunca vou me esquecer do frisson daquele instante, fugindo do que eu pensava fosse um pterodátilo!

Tudo isso porque, hoje de manhã, abro o diHITT e encontro a mensagem do Oscar, avisando que o Babel tinha recebido um presentinho do Flainando na Web, um dos seus maravilhosos blogs. Aliás, esse amigo querido é apaixonado pelo MT e por sapos. Fazer o que, né? rs (veja a lista dos blogs do Oscar abaixo.)

Oscar, amigo, eu estou aqui, outra vez, suja de terra e de pé no chão, desde o instante em que recebi o teu recado. Foi uma honra o mimo e um sonho reativar essas lembranças. Um beijo muito carinhoso para você e muito obrigada!


Letícia é alguém especial! Tem o carinho, o carisma e a simpatia como marcas registradas.
Conduz também com o mesmo carinho e competência o inusitado "Babel Ponto Com" um blog diferente de tudo o que você já viu, por ser editado em várias línguas.
Jornalista instigante, sempre em busca do que há de mais enriquecedor, me emocionou ao escrever as palavras acima.
É mesmo um privilégio ter esta moça como amiga!
"Letícia Castro"... Grave bem esse nome! Quando ela for uma celebridade, você vai dizer: "Bem que o Oscar falou..."!
E eu? Bom, eu só vou sorrir...
Muito obrigado, minha amiga!
E se eu fosse você que está me lendo agora, ia correndo ler o blog dela:

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terça-feira, 10 de junho de 2008

Talento Cuiabano agora fala para o mundo ouvir: Com vocês, Sady Folch!


Tá Creceno o Arraiá!!



Vidge nossa !! Tá creceno o arraiá !!
Ostro dia Vila Reá do Bom Jesus de Cuiabá,
Num foi tempo passô por lá,
Nhô Nezinho, nhô Neco e também Curimbatá...

Os povo que lá habita,
Proseia feito dona Nezita,
E se for pra proseá,
Num tem tempo de amargá...

Inté faláro dos poeta,
E dos sarás que tem por lá,
E os cantadô que num aquéta,
Virô nota de jorná...

Cunstruíro ponte nova,
Pra no rio podê passá,
Esses povo num tá prosa,
O que será do Cuiabá...

Rio belo e formoso,
Dotras vez a navegá,
Hodje pesca de barranco,
Nem isso tem pra acarmá...

Que sardade de Cuiabá!!!

Da cadêra de balanço,
Na varanda de dona Nhanhá,
Onde nóis buscava descanso,
Nos causo a nos contá...

Do poeta Sirva Freire,
Hóme iguar num tinha prosa,
Andava inté dez arqueire,
Pra falá de flôr formosa...

E de nhô Manuer de Barros,
Que pintchô de lá mucinho,
Foi prás banda do Corumbá,
Prá poetá os passarinho...

Que sardade desse tempo,
Das coisa que ficô lá,
Da natureza que era templo,
E dos pêtche do Cuiabá...

Hodje as ponte são moderna,
E os tropêro já não há,
Nem os gado mais inverna,
Mas resiste o meu ganzá...

Desta forma eu cantarei,
À siriema podê imitá,
E o cururu eu dançarei,
Prá tradição podê vortá.

Texto do cuiabano Sady Folch
Foto do cacerense Raimundo Reis


Cuiabá de Meus Sonhos, o que fizeram de Ti

MINHA QUERIDA CIDADE, QUANTA SAUDADE TENHO DE TI,
DE TUAS ALTAS PALMEIRAS E DO TEU CÉU AZUL QUE SÓ AÍ,
DO CALOR INTENSO QUE NOS ABRAÇA SÓ COMO TEU SOLO NOS FAZ,
TANTO QUERIA EU SABER SE TEUS SONHOS SOBREVIVEM REAIS,

QUANTAS SÃO AS MANHÃS EM QUE DESPERTO E ESTOU POR TI EM ACALANTO,
NÃO SEI AS CONTAR, POIS QUE SÃO TANTAS QUE JÁ NÃO SEI AFIRMAR,
AINDA QUANDO DERRAMAS EM TERRA LÁGRIMAS DE TEU PRANTO,
ÀS QUEIMADAS QUE TE IMPÕEM TENTANDO APAGAR,

ONDE ESTÃO AS MARGENS DE TEUS RIOS, QUANTO MAIS DO CUIABÁ,
QUE RECEBEU GRANDES NAVIOS EM TEU LEITO A NAVEGAR,
AS MATAS QUE PERMEIAM AS MARGENS DE TEUS RIACHOS,
O QUE FIZERAM DE TI, MINHA QUERIDA CUIABÁ,

TEUS PÁSSAROS NÃO GORGEIAM COMO DANTES ESTIVERAM LÁ,
TUA GENTE SENTE A FALTA QUE MARCOU O SABIÁ,
NÃO TE ESMOREÇAS NOSSA HISTÓRICA CUIABÁ,
POIS QUE DOS TRAUMAS TUA ALMA SUPERARÁ,

HOMENS DO PROGRESSO TOMARAM O TEU BRASIL,
O MODERNO QUE TE ALCANÇOU A VIDA CALMA SUCUMBIU,
E AINDA QUE NA CALADA DO TEMPO A MÁQUINA TE ATORMENTA,
RESTA-NOS A TUA FALA QUE A ALMA NOS ACALENTA,

JÁ NÃO SEI VIVER NESTE MUNDO TORTO E TÃO MUDADO,
QUE NÃO SE RESPEITA A VIDA E NEM MESMO AO SER AMADO,
JÁ NÃO SEI MAIS O QUE ESPERAR SE NÃO A TUA MORTE,
AO VÊ-LA TÃO ASSIM ARRANCADA DE TUA SORTE,

JÁ NÃO ESTOU MAIS PERTO DE TEU CHÃO E DO RIO QUE TEM O TEU NOME,
NEM DOS ANTIGOS QUINTAIS QUE ME DERAM DE CRESCER SEM FOME,
NO ALIMENTO ETERNO DAS FIBRAS DE TUAS MANGAS, E NOS CAROÇOS DAS GOIABAS,
E DAS TANTAS OUTRAS QUE EU AVISTAVA, COM OS OLHOS CHEIOS DAS JABUTICABAS,

QUANTAS SAUDADES DE TI QUE ME VIU MENINO,
DOS SABIÁS E DOS PARDAIS QUE LIBERTEI DA ALGIBEIRA,
DAS IDAS E VINDAS À CASA DE MEUS QUERIDOS AVÓS,
E DO QUE NOS CONTAVA UM VELHO EMPREGADO, DA TUA HISTÓRIA, TEU PORTA-VOZ,

TUA VIDA IDENTIFICADA NO CHÃO QUE PERMEOU A TUA FONTE,
IMORTALIZOU O SER QUE SOU, E DEU A MIM UM HORIZONTE,
QUE ME VOLTA A VISTA E NÃO NOS TEM SEPARADOS JAMAIS,
E CHEGARÁ O DIA EM QUE TERNAMENTE AOS TEUS PÉS ME RECOLHERÁS,

DOS DIAS EM QUE PASSEI BUSCANDO AS TUAS QUENTES SOMBRAS,
DESTES DIAS, TANTOS QUE PASSEM, NEM EU, NEM TU OS ESQUECERÁS,
E DAS TARDES EM BRINCADEIRAS DE MENINO EM BUSCA DAS PITOMBAS,
TANTAS SÃO AS LEMBRANÇAS A ME ENVOLVER NO SEIO DE MEUS ANCESTRAIS,

CUIABÁ DE MEUS SONHOS, QUE TÃO LINDA BRILHAVA NA AURORA,
TROUXE-ME AO PENSAMENTO A INSPIRAÇÃO DOS CONTOS DE OUTRORA,
E CERTIFICOU NA MINHA ALMA PARA SEMPRE A EXUBERÂNCIA DE TUA FLORA,
AGUARDA-ME AINDA QUE O TEMPO DESEJE ESTA DOLOROSA DEMORA,

DE MEUS DIAS DE CRIANÇA ESSES NÃO VOLTAM MAIS,
NUNCA MAIS...
MAS TU CUIABÁ QUERIDA, DOS MEUS TEMPOS DE CRIANÇA,
NÃO A ESQUECEREI JAMAIS.

Sady Folch


Sady Folch é um amigo, que assim se autodefine:

"Um peregrino convertido ao caminho das palavras, a buscar alívio para o desassossego da alma que habita o deserto da existência."

Escritor e poeta matogrossense, dono de um talento como poucas vezes eu vi, hoje mora em São Paulo e participa de um curso de formação para escritores. Por esse motivo, pra nossa sorte, precisou criar um blog.
Este blog, que merece toda a nossa reverência chama-se "Scriptor in Desassossego" e está à disposição de todos que se interessam por "palavras de qualidade" no seguinte endereço: http://sadyfolch.blogspot.com/ . Espero que apreciem como eu apreciei!
Não deixem de visitá-lo e acompanhar um conto em capítulos, que toda segunda-feira tem a sua continuação no Desassossego! Desvende os segredos de Elvira e Pedro...

quarta-feira, 28 de maio de 2008

"À toda ação corresponde uma reação de mesma intensidade, mesma direção e em sentido contrário"...

Sim a terceira lei de Newton é implacável!
Isso é o que se vê pelo chão, sujando as ruas de Várzea Grande (que feio isso de poluir as ruas!), depois que o candidato líder nas pesquisas a Prefeito, Maksuês Leite, desistiu da sua candidatura, em favor de sua esposa ser a candidata a vice-prefeita de Julio Campos.


Afinal quem é oposição a quem???
A forma de veicular a indignação é agressiva, mas o que o panfleto diz, fica difícil de ser explicado ou contestado.
Cada um que tire as suas conclusões. Eu já tirei a minha: só decido o meu voto aos 47 minutos do segundo tempo da prorrogação, porque até lá, parece que muita coisa ainda vai mudar!

terça-feira, 6 de maio de 2008

Maria da Penha, a própria, em Cuiabá...

Post "terceirizado" a quem foi e entende do assunto...

Maria da Penha - simplesmente surpreendente!


Pois é. Foi o que achei dessa cearense que fez de seu drama pessoal uma bandeira de luta. Bem, não vou reproduzir aqui todas as palavras da bioquímica Maria da Penha, mas algumas passagens faço questão de multiplicar. Citando Martin Luther King: "o que me preocupa não é o grito dos maus, é o silêncio dos bons," a oradora relatou sua história de vida. Ao contrário do que li em algumas mini biografias, o marido de Maria da Penha começou a mal trata-la logo depois do nascimento de sua segunda filha. Tal período coincide com a sentença de naturalização de Marco Antônio Heredia, que era colombiano. Maria da Penha já não tinha mais utilidade para ele. É claro que ela falou em divórcio, mas ele desconversava. Quando se casou, Maria da Penha pensou que seria para sempre, mas o laço que a unia ao marido começou a se desfazer três anos após a cerimônia. Ainda assim, ela teve mais uma menina. Em 1983 ela sofreu o primeiro atentado, suas três filhas eram totalmente dependentes dela (...) (continue lendo AQUI).

Se a Tânia, se surpreendeu, eu também estou surpreso...

domingo, 6 de abril de 2008

Cuiabá recebe exposição de Oscar Niemeyer



Uma exposição histórica, enfim insere Cuiabá e Mato Grosso, no circuito das grandes exposições mundiais. E o momento não poderia ser mais oportuno: no ápice da tradição celebrada em seus 289 anos, a capital mato-grossense se mostra mais moderna que nunca. Modernidade essa, acentuada por um evento que chega a ser um divisor de águas, dada a efervescência cultural que o município vivencia. O protagonista é ninguém menos que o centenário arquiteto, Oscar Niemeyer, um ícone da arquitetura moderna, com centenas de obras espalhadas por todo o mundo. Mato Grosso também fora honrado com projetos seus. O projeto do Memorial da Coluna Prestes, em vias de ser concretizado em Chapada dos Guimarães, é um destes. Mas isso é particularidade que só se será conhecida de fato, por quem embarcar numa viagem especial pela mente e pelo universo projetado por Niemeyer que terá início no dia 8 de abril. A aventura será ambientada em um dos espaços mais significativos já entregues à população cuiabana nos últimos tempos, o Museu do Morro da Caixa D´Água Velha.

A sociedade vai apreciar todas as peças da mesma exposição que acaba de chegar da Rússia e segue depois de sua `calorosa` temporada em terras mato-grossenses, para Milão, na Itália. O próprio Niemeyer classificou a oportunidade como uma possibilidade de sua arte interagir com a especificidade regional do centro da América Latina. Para ele, Mato Grosso representa uma realidade peculiar que a sua expedição precisava vivenciar. É como se ele estivesse presenteando a cidade. Segundo ele, só não vem para cá porque não anda mais de avião. Que venha então seu coração.

A mostra intitulada "Oscar Niemeyer - 100 anos: Poética da forma" que se encerra no dia 9 de maio - data que comemora o aniversário de Mato Grosso - delineia um período de homenagens estratégico. Tudo, graças à articulação do Instituto dos Arquitetos do Brasil de Mato Grosso. A gestão cultural tem assinatura do multimídia Grupo Caroline. Grande incentivadora, a Prefeitura Municipal de Cuiabá acolheu o projeto com o espírito visionário que lhe é característico. Vale ressaltar, a exposição segue com eventos paralelos que devem se suceder até seu encerramento. Já confirmado, o Papo de Arquiteto, mediado pelo profissional Eduardo Cairo Chiletto assim como a exposição estará aberta às mais plurais manisfestações artístico-culturais. Ainda na programação, performance de ballet contemporâneo com o casal de bailarinos Ana Carolina Pereira e Jefferson Florêncio - acompanhados pela execução ao vivo de música instrumental, pelo grupo Tocandira [WINDOWS-1252?]– e a interpretação de Samba do Arquiteto, de autoria de Oscar, por Vera e Zuleica.

INTERVENÇÃO REGIONAL

A exposição já sediada por importantes cidades brasileiras, como Rio de Janeiro, Brasília, e São Paulo, será estruturada pelo Studio & Criart - empresa de Kadu Niemeyer, neto do arquiteto - e de antemão, conta com a aprovação e reconhecimento do próprio Oscar Niemeyer. Vale ressaltar, que neste caso, fez questão que fosse idealizada em Cuiabá. A organização desta mostra é uma versão adaptada das exposições idealizadas em comemoração ao centenário de Oscar Niemeyer, comemorado no dia 15 de dezembro passado. Cada cidade que sedia a exposição desenvolve uma contextualização e novo desenho da montagem, elaborados por uma equipe devidamente credenciada pelo próprio arquiteto Oscar Niemeyer, no caso, a do IAB-MT. A nova diretoria da instituição, presidida por Allan Rocha, dentro dos seus primeiros planos e projetos decidiram antes mesmo de assumir o instituto, trazer esse brilhante presente para essa cidade.

Todas as peças expostas simbolizam as grandes obras de Niemeyer neste século de vida do arquiteto. O público poderá conferir 28 fotos de Kadu Niemeyer, cinco maquetes desenvolvidas especialmente para essa exposição, três placas de acrílico holográficas, slide-show, reproduções da Coluna da Alvorada e da Catedral de Brasília. Integra a mostra ainda, a reprodução da mão do Memorial da América Latina.

SENSIBILIDADE À ARTE


Um projeto deste vulto e valores sócio-culturais inquestionáveis só poderia ter se concretizado porque há no poder público e privado, gestores e empresários que acreditam no poder da transformação a partir da arte, afinal, a arquitetura se mostra plenamente como um segmento artístico, no qual caminham de mãos dadas a ciência, técnica e arte. É importante que os veículos de comunicação se atentem à prestação de serviço à cultura quando revelam quem são os grandes incentivadores da arte em Mato Grosso. Esse projeto só pôde ser realizado graças à sensibilidade da Prefeitura Municipal de Cuiabá - por meio da Secretaria Municipal de Cultura, Assembléia Legislativa do Estado de Mato Grosso, Governo do Estado de Mato Grosso e a Revista Camalote. Como apoios culturais ficam registrados os nomes de Pref. Chapada dos Guimarães, Arte Rosa, Adriano Restaurante, Café Cancun, Gráfica Print, City Lar, Cedro Engenharia, Folha do Estado, Gato Mia, Plaenge, PrintPress, Rádio Cidade, Sinduscon-MT, Federação das Indústrias de Mato Grosso.

O REALIZADOR


O IAB - Instituto de Arquitetos do Brasil foi fundado no período em que o Brasil vivia o Estado Novo e o mundo se preparava para a Segunda Guerra Mundial, no nosso estado nesse ano esta comemorando 30 anos de história mantendo-se sempre atuante na política e na luta para valorizar os profissionais e assim prestar melhor serviço a comunidade.

Assim com uma visão futurista procura o apoio de grandes empresas com a mesma visão e acredita que Cuiabá e Mato grosso valorizam e incentivam a cultura e a arte de maneira que obteremos o incentivo financeiro necessário no prazo de 30 dias.
Apoiar a exposição e associar a marca diretamente com Oscar Niemeyer, grande gênio da arte e arquitetura mundial e suas obras históricas significa simplesmente ter a oportunidade de também participar e fazer parte do centenário do artista é se vangloriar em lembrar-se da Pampulha, do auditório do Ibirapuera, das construções de Brasília e concluir que a partir de agora você e sua empresa fazem parte dessa brilhante historia.

O GÊNIO

Um amante das curvas, das formas inusitadas, um dos nomes mais marcantes da arquitetura brasileira. Contra a postura rígida das escolas do pós-guerra, deu projeção a um estilo livre.

Oscar Niemeyer que aos 100 anos continua produzindo, é acima de tudo, um artista. Desenvolveu na arquitetura uma linguagem autônoma e modernista ao usar seus traços e o concreto armado - em substituição aos tradicionais compensados de madeira - para dar formato aos seus monumentos. A técnica o ajudou a criar formas inusitadas como um museu que lembra uma nave espacial, em Niterói, ou com formato de um olho, em Curitiba.

Alguns críticos dividem sua obra em quatro fases. Niemeyer começou trabalhando de graça no escritório dos já consagrados Lúcio Costa e Carlos Leão. O período de 1940 a 1943 o faz famoso com o Conjunto da Pampulha. Já na segunda fase, marcada pela liberdade formal com técnicas de engenharia e cálculo de materiais com o destaque para o concreto armado, o destaque fica por conta do desenho do Ibirapuera, em São Paulo. O Eixo Monumental de Brasília é o projeto mais simbólico de sua terceira fase. Aí ele explorou uma realidade paralela e oculta, tal que nosso subconsciente. Depois, de 1965 a 1989, logo após a construção de Brasília - quando se intensifica sua inclinação política - ele vai além do apuro técnico graças ao contato com a história e a arquitetura da antigüidade. Exilado na França em virtude da ditadura brasileira, construiu monumentos importantíssimos, como a sede do Partido Comunista em Paris.

De 1989 até hoje, ele realça o domínio de sua linguagem própria nos inúmeros projetos desenvolvidos, como o Centro Administrativo de Minas Gerais.

Assessoria


Visite também para saber mais:

Fundação Oscar Niemeyer

Centro de informação nas áreas de arquitetura, urbanismo e design.
www.niemeyer.org.br/

Essa notícia eu fui buscar lá no MatogossoMais, o site que está sempre na frente dos demais em relação às notícias mais importantes e em tempo real em Mato Grosso. É sempre lá minha primeira opção de busca pela informação de qualidade.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Morre o autor do Discoporto (Aeroporto para Discos Voadores)


Morre Varjão, autor do projeto do Discoporto



Valdon Varjão ocupou vários cargos eletivos

Morre, aos 84 anos, em Cuiabá, de falência múltiplas dos órgãos, o ex-deputado federal, ex-senador e ex-prefeito por dois mandatos de Barra do Garças, Valdon Varjão, maior político da velha guarda da região do Araguaia. Ele estava na UTI do Hospital Santa Rosa há cerca de 15 dias. Faleceu neste domingo, às 12h.

O corpo será levado para Barra do Garças. A família não sabe ainda onde será velado. Varjão deixa órfãos a esposa Maria Rosa Varjão e quatro filhos: José de Arimatéia, Maria Honorária, Malba Tânia e Joemar Nicodemos Varjão.

Valdon Varjão ganhou projeção nacional com seu projeto que resultou na construção em Barra do Garças do primeiro Discoporto do Brasil, ou seja, um local exclusivo para a aterrissagem de discos voadores. O Discoporto (Ovniporto) está localizado nas proximidades da região do Serra do Roncador, lugar que se tornou um dos principais pontos de atividade do turismo ufológico no país. Por causa desse projeto muitos chegaram a classificá-lo de louco e lunático. Varjão participou até do Programa do Jô, da Rede Globo, motivado pelo Discoporto.

(Romilson Dourado e Ronaldo Couto)

Carnaval em Barra homenageia Varjão

Por coincidência, os enfeites de Carnaval em Barra do Garças representam uma homenagem ao seu filho ilustre Valdon Varjão, que faleceu neste domingo, em Cuiabá. A prefeitura decorou as principais ruas e avenidas com imagens de disco voador, em alusão ao discoporto, projeto idealizado por Varjão. Batizou o carnaval deste ano de Galáxias, uma iniciativa do prefeito Zózimo Chaparral, que foi vereador junto com Varjão.

Ex-prefeito 2 vezes lançou 28 livros

Valdon Varjão escreveu 28 obras, várias delas retratando a história de Barra do Garças e do Vale do Araguaia. Foi prefeito de Barra do Garças por duas vezes (59/63 e 73/77), vereador, deputado estadual, senador e membro da Academia Mato-Grossense de Letras. Chegou ao Congresso Nacional como primeiro senador negro da República e foi autor do projeto proibindo a venda de órgãos humanos no Brasil.

Varjão participou do Programa do Jô

Em 1986, Valdon Varjão encerrava a sua carreira polítca na condição de vereador por Barra do Garças. No mesmo ano ele apresentou o projeto criando o discoporto - espécie de aeroporto para aterrisar discos voadores. A idéia considerada visionária por ele acabou lhe rendendo uma participação no Programa do Jô, do humorista Jô Soares, e uma estrutura de um disco voador no alto da Serra Azul, de Barra do Garças.

Ex-prefeito mantinha valioso acervo

Valdon Varjão possui o maior acervo de fotos, livros e objetos históricos de Barra do Garças. Entre as relíquias do município, guardava consigo um osso supostamente de dinossauro e pedaço de pedra que supõe-se que seja de um meteorito. As histórias de Varjão fizeram dele um amigo dos irmãos Villasboas com participação em documentários que são apresentados na TV Cultura. Valdon Varjão pertencia a outros dois líderes políticos da velha guarda de Barra do Garças: Ladislau Cristino Cortes e Wilmar Peres de Farias.

Prefeito Chaparral decreta luto oficial

O prefeito de Barra do Garças, Zózimo Chaparral (PC do B), acaba de decretar luto oficial de três dias. Por uma decisão da família, o carnaval de rua que acontece na porta da casa de Valdon Varjão vai continuar.

Não foi morte dolorosa, diz uma das filhas

"Ele relutou muito. Morreu tranquilo. Não foi uma morte dolorosa", conforta-se Maria Honorária, uma das quatro filhas de Valdon Varjão, em contato por telefone com o RDNews, enquanto, ainda no Hospital Santa Rosa, cuidava dos preparativos para o transporte do corpo do pai para Barra do Garças. Para Maria, o ex-prefeito Varjão "foi o maior herói da família". Afirma que ele mostrou muita persistência e vontade de viver por mais tempo. "Infelizmente, chegou no limite. Não suportou mais", diz, ao explicar que Varjão teve falência dos órgãos, após complicações por causa de pneumonia, paralisação dos rins e perda dos movimentos do corpo. "Agora, Barra do Garças, em ritmo de Carnaval e em homenagem a ele (Varjão) vai recebê-lo, em festa".

Fonte: RDNews

Valdon Varjão morre aos 84 anos


Texto de Ronaldo Couto e Marcos Dantas

LEIA POEMA DE AIRTON REIS

(03.02.08) BARRA DO GARÇAS - Há vários meses internado, Valdon Varjão faleceu nesta tarde (13h00) no Hospital Santa Rosa, em Cuiabá/MT. Varjão é natural de Cariús-CE e chegou ao Vale do Araguaia ainda bem jovem. Foi garimpeiro, comerciante, agropecuarista, tabelião, contador, contista, escritor, jornalista, fundador e membro do Instituto Historio e Geográfico de Mato Grosso, publicando os livros: Como e Por que Trabalham os Pedreiros Livres(Obra Maçônica), Barra do Garças no Passado(Histórica), Avante! Filhos da Viúva(Obra Maçônica), Negro Sim, Escravo Não(Separata de Discurso), A Integração Racial(Conferência), Filinto Muller, Um líder(Separata de Discurso), Seca do Nordeste(Separata de Discurso) e Janela do Tempo(Histórico).

Membro-fundador da Academia de Letras e Cultura do Centro Oeste, Valdon Varjão sempre se preocupou em arquivar os fatos registrados na história de Barra do Garças e região, sendo referência como o maior arquivista de recortes de jornais, revistas e também fotografias e imagens antigas da região. Valdon foi eleito prefeito de Barra do Garças por duas vezes(1959 a 1963 / 1973 a l977), vereador, deputado estadual, senador (biônico) da República; sendo o primeiro negro no senado brasileiro, se destacando pelo projeto de sua autoria proibindo a venda de órgãos humanos no Brasil. Em 2000, Valdon Varjão tentou se reeleger vereador mas perdeu a eleição. Na condição de vereador de Barra do Garças, apresentou o projeto criando o “Discoporto(uma espécie de aeroporto para aterrissar discos voadores)”. A idéia considerada visionária por ele, acabou lhe rendendo uma participação no programa de Jô Soares (Globo).

Na época, sua condição privilegiada o aproximou dos irmãos sertanistas Villas Boas com os quais teve a oportunidade de participar de documentários exibidos pela TV Cultura. O prefeito de Barra do Garças, Zózimo Chaparral, decretou luto oficial de três dias, e por decisão da família, o carnaval de rua que ocorre na porta da casa de Valdon Varjão que também gostava da folia de momo. O tema do carnaval este ano é “O Carnaval das Galáxias”, decorado pelo artista plástico Genito Santos que homenageia Valdon Varjão. O corpo de Varjão será velado amanhã (04) no auditório da Prefeitura de Barra do Garças.

Viagem Sideral

por Airton Reis
04.02.08


“Carnaval das Galáxias” no Leste de Mato Grosso. Barra do Garças em despedida ao som da bateria em percussão. Valdon Varjão na galeria dos ilustres consagrados pelo voto popular de eleição em eleição. Valdon Varjão representante de um povo irmanado no alvorecer da democracia.

Valdon Varjão no refrão: “Negro sim, escravo não”! Valdon Varjão no parlamento e no executivo municipal. Valdon Varjão no Congresso Nacional. Valdon Varjão no portal das letras mato-grossenses além de uma academia. Valdon Varjão patrono da cidadania estelar. Valdon Varjão nas páginas do Livro da Vida prefaciado pelo verbo representar. Valdon Varjão na fraternidade universal conjugada em todos os tempos. Valdon Varjão na força da palavra de um sertanista. Valdon Varjão na morada eterna reservada a um político humanista. Valdon Varjão em samba enredo sideral. Valdon Varjão em acolhida fraternal. Valdon Varjão em chegada iluminada pelos astros de um mesmo firmamento. Valdon Varjão nas referências de um legislador. Valdon Varjão na viagem com escala na Casa do Pai e Criador.

Valdon Varjão em separatas que marcaram época pela “Integração Racial”. Valdon Varjão na “Janela do Tempo” da humanidade irmanada em constelação universal. Valdon Varjão no refrão da Bandeira em Pavilhão Nacional iluminado. Valdon Varjão em verso poetizado pela rima livre. Valdon Varjão em história sem capítulo final. Valdon Varjão na Primavera de um jardim sideral. Valdon Varjão em pegadas trilhadas em direção ao social. Valdon Varjão no vértice do tempo das mãos dadas. Valdo Varjão no horizonte das palavras publicadas.

Vai Valdon Varjão, vai! Encontre a Luz do Arquiteto do Universo brilhante em outras dimensões. Encante outras platéias com as suas convicções. Diga sim ao povo brasileiro esquecido em conquistas e em constantes privações. Anuncie a liberdade tantas vezes calada antes e depois de uma senzala colonial. Brilhe na magnitude de uma estrela doravante dourada, colossal. Adentre o portal dos mansos e dos pacíficos em alvorada celestial.

Comungue o pão da vida em aurora divinal. Esteja sempre conosco em verso e poesia. Seja para nós brasileiros o ícone consagrado pela autêntica democracia. Exerça a cidadania sem fronteira e sem olhos fechados diante da desigualdade seja ela qual for. Aviste a Luz do Bom Pastor. Seja símbolo de um tempo assinalado pela boa vontade. Esteja na memória desta Capital e daquelas cidades que você viu nascer, crescer e integrar ao lábaro estrelado que nos faz sociedade num mesmo Estado Federado. Vai Valdon Varjão, vai! Mato Grosso se despede em samba enredo iluminado pela fênix de um Brasão institucional. Adentre o portal dos irmanados em filiação universal. Pouse com suas asas prateadas na pátria espiritual. Barra do Garças lhe concede o título imortal de um cidadão em viagem sideral.

Airton Reis é poeta em Cuiabá-MT. E-mail: airtonreisjr@gmail.com

Fonte:
Jornal Local On Line (www.jlocal.com.br)


Mato Grosso, Barra do Garças - Município situado a 500 km de Cuiabá, à beira da Serra Azul e da Serra do Roncador.

Mato Grosso, 04/02/2008 - Valdon Varjão, 84 anos, morreu no domingo, às 14h, no Hospital Rosa, em Cuiabá, de falência múltipla dos órgãos.

Mato Grosso, 04/02/2008 - Ele foi o autor de lei para a criação do Discoporto em Barra do Garças (MT).

Mato Grosso, 04/02/2008 - Relatos ufológicos e místicos inspiraram, há 12 anos, o ex-vereador a criar a Lei Municipal nº 1.840 sancionada pelo ex-prefeito, Vilmar Peres de Faria, em 1995.

Mato Grosso, 04/02/2008 - Pelo projeto, cinco hectares seriam destinados à construção de uma pista de pouso de Objetos Voadores Não-Identificados (Ovnis), o Discoporto, no Parque Estadual da Serra Azul, próximo à Serra do Roncador.




Brasília, quarta-feira, 02 de outubro de 2002

natureza mística
Direto de outro planeta

A mística Barra do Garças está preparada para receber a visita de extraterrestres, inclusive com projeto aprovado pela Câmara de Vereadores para a construção de um discoporto

Fotos: Nehil Hamilton
A nave feita de chapas de aço coloridas chama a atenção dos visitantes que se divertem tirando fotos. No lugar será construído o primeiro discoporto do Brasil


Valdon é o contador de causos de Barra do Garças

Vida dentro e fora do planeta Terra. Em Barra do Garças, até índio já teve contato com seres extraterrestres. Poucos são aqueles moradores que não têm uma boa história para contar sobre luzes que brilham e se movimentam em meio a escuridão dos céus do Mato Grosso. Relatos como o da geógrafa Takako Kondo contribuem para reforçar a fama esotérica da cidade. Foi com os olhos puxados de descendente japonesa que a paulista de 64 anos viu pela primeira vez um ‘‘objeto voador não identificado’’, há cinco anos. ‘‘Estava na tribo Xavante quando três luzes muito fortes apareceram no céu. Pensei que elas fossem eclodir, mas quando chegaram perto uma da outra, a luz desapareceu’’, relembra Takako.

A crença de que viu um disco voador está na certeza da existência de outros povos fora da Terra. ‘‘É muita pretensão acreditarmos que somos os únicos. Tem gente que vê e não acredita, eu sim’’, garante a geógrafa. E essa não foi a última vez que os extraterrestres apareceram para a mística. Takako também descreve uma nave prateada, cheia de janelas e em movimento horizontal — ‘‘igual a dos filmes’’ — que teria aparecido entre as nuvens durante uma viagem de avião de São Paulo para Uberlândia.

Apesar da certeza de alguns, nenhum sinal de presença desconhecida foi detectado pelos radares atentos do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfico Aéreo (Cindacta), da Aeronáutica, responsável pelo controle aéreo da região.

Fato ou imaginação, com ou sem o aval da tecnologia, os moradores de Barra do Garças estão prontos para receber visita tão ilustre. Com um currículo invejável de político que já ocupou cargo de deputado estadual, federal, senador e a cadeira de prefeito de Barra por três vezes, o cearense Valdon Varjão mora na região há 65 anos e não há um cidadão que desconheça esse contador de causos bem-humorado. Personalidade assim, cheia de graça. Ninguém melhor que ele para propor a criação de um discoporto, ou trocando em miúdos, um aeroporto para a discos voadores.

‘‘Eu queria colocar Barra do Garças na mídia, pois aqui não tinha exploração turística nem divulgação. Como sempre teve um misticismo muito forte, aproveitei a idéia’’, garante Valdon que acredita em ETs, embora ‘‘não espere conhecê-los um dia’’. Em 1995, o discoporto saiu do papel e foi aprovado pela Câmara de Vereadores, agora falta construir.

O local escolhido para recepcionar nosso vizinho foi o alto do Parque Estadual da Serra Azul, a 4km da cidade. Nada de sobrenatural no descampado de terra vermelha que justificasse a escolha do local do projeto. ‘‘Ali era o lugar mais fácil para a futura construção’’, explica o historiador.

Se extraterrestres realmente rondam o Mato Grosso, eles preferiram ficar pelos céus. Nenhum até hoje se arriscou a pousar no lugar reservado para a construção da parafernália que fará as vezes do único discoporto do Brasil. Enquanto o maquinário não chega — se é que um dia ele virá — uma nave feita com chapas de aço coloridas é diversão para a crianças, que podem entrar dentro da geringonça e levar uma foto para casa.

Quem já não é mais criança e não pode entrar na nave de mentirinha, pelo menos tem a possibilidade de levar uma lembrança do painel de placa galvanizada em forma de extraterrestres. É só colocar a cabeça no buraco do painel para se sentir um verdadeiro ET, esverdeado e com grandes olhos vermelhos. (F.D.)



Trouxe o post completo lá no meu outro blog By Osc@r Luiz.