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sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Piranhas atacam banhistas em praias e baias de Cáceres



Sinézio Alcântara
de Cáceres



Banhar nas águas do rio Paraguai, nesta época do ano, pode tornar-se uma aventura agradável quanto perigosa. Nos últimos 10 dias, mais de 50 pessoas foram vítimas de ataques de piranha, nas praias e baias em Cáceres. Em alguns balneários e pousadas, os proprietários estão colocando telas de arame dentro do rio, em uma determinada distância da margem, para proteger os banhistas. Em clubes beira-rio, os diretores colocam placas de sinalização, alertando sobre o perigo. Os cardumes infestam também as baias próximas as fazendas na região do pantanal.

No SESI e Iate, clubes localizados no perímetro urbano da cidade, próximo a margem do rio, foram registrados, em menos de uma semana, mais de 15 ataques. Em um dos casos, uma garota de 13 anos, teve um dos dedos do pé, parcialmente, arrancado por uma mordida. “Foi como uma ferroada. Doeu e sangrou muito” disse. Em outro, um banhista atacado teve várias mordidas, na região da panturrilha. “Elas (piranhas) estão cada vez mais vorazes. Mas, somos nós que estamos invadindo seu habitat”, minimizou.

A orientação é para evitar entrar na água. E, em caso de ataque, sair imediatamente, para não deixar que o sangue espalhe e atraia maior número de piranhas no local para não colocar em risco outras pessoas.

“Em todos os anos, neste período, são registrados ataques de piranhas, mas neste, têm ocorrido com maior freqüência”, admitiu Lucides Ortega, presidente do SESI Clube. Embora seja instalado a poucos metros da baia do Malheiros, a direção do SESI implantou vários chuveiros, na área do clube, para tentar evitar que os freqüentadores entrem na água da baia. “Foi a forma encontrada para não parar o clube e tampouco colocar os nossos freqüentadores em risco”, observou Ortega.

Relatos mais surpreendentes, no entanto, chegam da região do pantanal. O peão de boiadeiro Manoel de Campos, conhecido por “Mané Siri” diz que as baias que não secaram com o longo período de estiagem estão infestadas de piranha. E, os animais (bois e cavalos) que arriscam entrar na água para saciar a sede sofrem com as mordidas das piranhas. “O perigo está em todo lugar. No seco corremos o risco de um ataque de onças pintadas que se multiplicam na região e na água enfrentamos as piranhas cada vez mais famintas”, reclama.

Nas praias e baias de Cáceres, especificamente, os cardumes são de espécies consideradas pequenas, de no máximo 20 centímetros. Especialistas ainda não manifestaram sobre o fenômeno. Curiosos, entretanto, atribuem os ataques ao período de desova. “Nesse período quando elas estão desovando, geralmente, ficam mais famintas e agressivas”, afirmou o pescador João Leopoldo Alves.

Fonte: 24 horas news

PIRANHAS: DENTES ATERRORIZANTES DOS RIOS

Com o corpo chato em forma de disco costuram alguns rios e lagos, com movimentos rápidos e na maioria das vezes em grupo. A cabeça achatada frontalmente, boca rasgada para região posterior da cabeça e semi aberta deixando amostra dentes triangulares, laminares e aguçados, próprios para cortar e dilacerar. O dois orifícios para respiração e os olhos grandes localizados lateralmente na face, aumentam ainda mais a expressão fria e aterrorizadora (Fig. 1 e 2).

Fig.1 – Observar o posicionamento, o relacionamento dos dentes e o conjunto das estruturas faciais resultando realmente em uma fisionomia agressiva.

Fig. 2 – Vista lateral onde pode ser observada a perfeita distribuição dos dentes que funcionam como uma verdadeira tesoura afiada.

Muitas vezes, por habitar águas de aparência calma e conviver em cardume (algumas espécies), torna-a traiçoeira e fatal. Provavelmente, nenhum outro animal nos rios mete mais medo que a PIRANHA. Tornou-se bem conhecida e muito temida no interior do Brasil desde a época das Entradas e Bandeiras, devido sua voracidade. O simples cheiro de sangue e/ou movimentos imprevistos na água faz com que as piranhas se reunam em dezenas. Nos rios habitados por piranhas, é prudente tomar cuidado, ao lavar carcaças, couro ou quaisquer animais sangrando, pois freqüentemente, elas agridem mãos, pés ou lábios, de pessoas ou animais que ali vão apanhar água ou bebe-la. Costumam permanecer nestes locais longos espaços de tempo, dispersando-se posteriormente quando voltam ao seu comportamento normal (Fig.3).

Fig. 3 – Evidenciando a reunião e alvoroço de piranhas após o lançamento de um peixe ferido de grande porte dentro do rio.

O temor em relação ao ataque de piranhas deve ser analisado com critério, pois este normalmente está alicerçado numa soma de lendas, relatos fantásticos de homens que vivem em regiões habitadas por elas, leituras mal interpretadas de livros de aventura e em filmes cinematográficos aonde elas chegam até voar para atacar suas vítimas.

As piranhas são peixes predadores por isto se alimentam de quaisquer outros animais, sua dieta usualmente consiste de pequenos peixes, pássaros e animais que por ventura caiam dentro d'água onde elas habitam. Mas não podem ser conceituadas como "devoradoras de homens". Sim, elas são carnívoras, mas o homem não faz parte de sua cadeia alimentar. As piranhas são antes de tudo umas comedoras de peixes e outros animais aquáticos.

A maioria dos acidentes com as piranhas acontecem quando os dois, peixe e pescador estão fora d'água. Tirar um anzol da boca de uma piranha não é tarefa difícil, mas deve ser feita com cuidado, pois ao menor descuido, seus dentes provarão que são afiados como navalha (Fig 4). A sugestão é primeiramente matá-la e/ou remover cuidadosamente o anzol com alicates (Fig. 5). Após isso, o peixe deve ser colocado em local protegido, de preferência dentro do viveiro do barco. É relatado acidente durante uma pescaria muito movimentada, onde os peixes fisgados eram jogados em qualquer local do barco, ficando espalhados sobre o estrado da embarcação. Em determinado momento, um dos pescadores, descalço, levantou-se e foi ao outro extremo da embarcação. No trajeto, pisou próxima a boca de uma piranha ainda viva. Como resultado, teve seu dedo menor praticamente amputado na hora.

Fig. 4 – Acidente com ferimento da mão provocado por mordida de piranha.

Fig. 5 – Observar a fixação firme da cabeça da piranha com uma das mãos e a outra manipulando uma pinça para remoção do anzol.

Outro acidente comum é na hora de limpá-las, se não estiverem realmente mortas, é inevitável o acidente, esta observação deve ser feita com muito detalhe porque elas sobrevevivem muito tempo fora d'água, e pode estar sendo passada como morta. E por falar desta capacidade que a piranha tem de sobreviver fora d'água por longo período de tempo. Lembro-me o primeiro contato que tive com uma destas, foi em meados dos anos 70, numa pescaria em forma de caravana com grandes e verdadeiros amigos (Os Bozolas: Sô César, Paulo Capelão e Paulinho "PC"; Adalberto “Bertuin”; Osvaldo Sérvulo; Gilberto Motta; Celso Sapia “jaburu”; João Alberto “Janjão”, Adalberto “Betinho”, Luiz Henrique “Bolo'', Carlos Tavano; os irmãos violeiros Osvaldo e Reinaldo Nogueira...)”. Foi lá pelas bandas de Goiás, especificamente no Rio do Peixe (afluente do Rio Araguaia), naquela época o rio era pouco explorado. De beleza única, com lindas praias recobertas por um manto alvo de areia que fazia contraste espetacular com o verde das vegetações que acompanham as margens do rio e a inesquecível presença das aves coloridas e animais donos do lugar. Para o pincel de um sensível pintor (saudoso Veiga), toda aquela paisagem, com certeza, seria motivo para um extraordinário quadro. Bem, após o levantamento do acampamento, alguns companheiros, logo prepararam suas tralhas e saíram de barco, em algumas horas estavam de volta, todos animados com vários tucunarés, pacus e junto uma piranha que foi jogada na praia. Tempos depois andando pela praia a observar a beleza natural do local, deparei com aquela piranha abandonada que parecia morta. A curiosidade de examinar seus dentes fez com que eu agachasse e sacando a faca da bainha (pura sorte) coloquei-a entre as arcadas dentárias, para minha surpresa a “safadinha” ainda estava viva e parecendo ajuntar suas últimas forças, com um movimento rápido e enérgico trincou os dentes, senti na lamina sua força e o estrago que poderia provocar em algum tecido mole do corpo humano.

Outra condição que elas apresentam real perigo é quando na época das chuvas, acontece nos rios da Bacia Amazônica ou em rios do Pantanal o fenômeno da vazante em que as águas chegam invadir quilômetros de terra de suas margens. Com o passar desta época e o rio voltando ao seu leito normal, presenciamos a formação de centenas de lagoas e pequenos lagos sazonais, onde ficam aprisionados grandes espécies de peixes inclusive as piranhas, que com o decorrer do tempo as águas destes lagos vão ficando escassas e a disputa de espaço e alimento torna-se questão de sobrevivência. Então nestas condições realmente as piranhas ficam demasiadamente agressivas e ferozes, fazendo até jus a fama que lhes tem sido atribuída.

Isso tudo o que você leu sobre esses peixes carnívoros veio do excelente site "Saúde Animal", onde você encontra muito mais informações sobre Piranhas e muitos outros animais.
Faça uma visita!


segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Prefeito interino administra cidade de dentro da cadeia

O presidente da Câmara de Juscimeira está preso por crime eleitoral e mesmo assim assumiu o cargo de prefeito interino.
Redação TVCA



O presidente da Câmara Municipal de Juscimeira (156 km de Cuiabá), Arthur Queiróz Neto, teve autorização da Justiça para tomar posse do cargo de prefeito interino, dentro da cadeia pública da cidade. Ele foi preso no último domingo, dia das eleições, acusado de compra de votos.

Há mais de 20 dias o prefeito de Juscimeira, Dener Araújo Chaves, foi afastado do cargo por ser acusado de improbidade administrativa. Já o vice-prefeito, Edivaldo Araújo da Silva, está licenciado da função para tratamento de saúde. Por isso, o presidente da Câmara, mesmo estando detido, assumiu o cargo de prefeito interino.

O vereador Lindomar Duarte da Silva explicou sobre a posse que foi realizada ontem. "Os funcionários públicos estavam sem pagamento, a saúde parada. Então tivemos que empossar ele dentro da cadeia municipal para que possa governar o município", afirmou.

Segundo o diretor da unidade prisional, Zidel José de Souza, se houver urgência, Arthur Queiróz Neto poderá despachar documentos da Prefeitura de dentro da cela. "Nós vamos analisar a necessidade da assinatura dele", observou.

Mudanças no Executivo

Alguns moradores não conseguiram entender tanta mudança no Executivo. Damaceno Leite, morador de Juscimeira, por exemplo, disse não saber como agir diante desta situação. "Não podemos chegar no poder público e falar sobre algo que esteja acontecendo na cidade. Temos que ficar quietos, porque estamos sem prefeito", comentou.

Enquanto a Justiça não resolver o caso, a população de Juscimeira terá que esperar até o dia 1º de janeiro, data marcada para a posse do novo administrador e também dos vereadores eleitos no dia 5 de outubro.


Hehe! Gabinete apropridado para os nossos políticos...


segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Meteorito cai em Mato Grosso!

Há 245 milhões de anos meteorito abriu cratera de 40 quilômetros de diâmetro na atual divisa entre Mato Grosso e Goiás


Ricardo Zorzetto


Desde que trocou a vida corrida das grandes cidades pela tranqüilidade do campo seis anos atrás, o publicitário paranaense Ruy Ojeda não se cansa de falar dos encantos da terra que adotou como sua: a pequena Ponte Branca, no sudeste do estado do Mato Grosso, já na divisa com Goiás. O que o seduziu não foi o sossego desse município de menos de 2 mil habitantes nem a beleza natural da região, onde as pastagens gradualmente substituíram as árvores de tronco retorcido e casca espessa do Cerrado. A razão do encanto é um fenômeno que ocorreu muito tempo atrás e ainda hoje Ojeda não compreende bem: o surgimento de uma imensa cratera formada pelo impacto de um meteorito que caiu há 245 milhões de anos perto de onde hoje fica Ponte Branca e o município vizinho de Araguainha.

Ojeda soube da cratera, cuja formação começa agora a ser mais bem conhecida a partir de estudos recentes de geólogos e geofísicos de São Paulo e Campinas, em julho de 2002, quando acompanhava o trabalho de campo da equipe de Claudinei Gouveia de Oliveira, da Universidade de Brasília. Maravilhado com a possibilidade de ver de perto essa cicatriz de um passado distante, Ojeda não perdeu tempo. Subiu a serra da Arnica – o ponto mais alto da região, a 16 quilômetros de Ponte Branca – e olhou em todas as direções, na esperança de encontrar um imenso buraco. Não viu nada que lembrasse uma cratera. Mas não desistiu de procurar e saiu pelas fazendas da região pedindo informações sobre o tal buraco. Só conseguiu encontrar a cratera, a maior da América do Sul provocada pela queda de um corpo celeste, quando aprendeu a decifrar as informações dos documentos científicos. “Não imaginava que vivíamos todos dentro dela”, conta.

Assim como ele, a maior parte dos 2 mil moradores de Ponte Branca e do 1,3 mil de Araguainha não sabe que as duas cidades nasceram no ventre de uma cratera aberta por um meteorito. Muitos nem acreditam que ela de fato exista. Dá para entender por quê. A cratera é tão extensa – tem 40 quilômetros de diâmetro – que da serra da Arnica, seu ponto central, não é possível enxergar os morros que formam sua borda. Só para ter uma idéia de sua dimensão, uma cratera como a de Araguainha abarcaria completamente a Região Metropolitana de São Paulo, a maior metrópole sul-americana, formada pela capital paulista e 39 municípios vizinhos.

Não é só quem mora por lá que tem dificuldade em perceber que as cidades estão no fundo de uma cratera: a primeira perto do centro, a região diretamente atingida pelo meteorito; e a segunda mais próxima à borda, onde extensas cadeias de morros semicirculares se ergueram em conseqüência do choque. Também os cientistas demoraram a notar a cratera. Sua estrutura em forma de um anel com 40 quilômetros de diâmetro foi inicialmente identificada na década de 1960 em estudos geológicos feitos pela Petrobras. Mas os indícios mais fortes de que se tratava mesmo de uma cratera só apareceram mais tarde. Em 1973, ao analisar as primeiras imagens do Brasil feitas pelo satélite norte-americano Landsat, o geofísico Robert Dietz e o geólogo Bevan French sugeriram em um artigo na Nature que a região de Araguainha estava no interior de uma depressão que poderia ser uma cratera de impacto aberta por uma rocha vinda do espaço, estrutura a que os geólogos dão o nome de astroblema.

Mas o formato circular observado do espaço poderia representar também os restos de um vulcão extinto, coberto por sedimentos, dúvida que intrigou os pesquisadores por anos até que as imagens estudadas por Dietz e French chamaram a atenção de um geólogo brasileiro recém-formado, Alvaro Crósta, que começava seu mestrado em sensoriamento remoto no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Após dias de viagem por estradas de terra esburacadas, em 1978 Crósta foi a Araguainha e Ponte Branca e percorreu a região, analisando os diferentes tipos de rocha que afloravam na paisagem. Nessa expedição encontrou os sinais característicos de uma cratera formada por impacto de um meteorito, entre eles fragmentos de rochas sedimentares que lembram a ponta de uma árvore de Natal. São os chamados cones de estilhaçamento ou shatter cones, que Crósta descreveu em um artigo publicado em 1981 na Revista Brasileira de Geociências, simultaneamente à publicação do trabalho da geóloga alemã Barbara Theilen Willige, que havia chegado ao mesmo resultado de modo independente e estimado a idade da cratera em 285 milhões de anos.

Crósta analisou rochas que se formaram com a pressão e o calor do impacto e calculou a idade do choque em aproximadamente 300 milhões de anos. “Mas na época não havia técnicas de datação adequadas e eu já supunha que pudesse ser mais recente”, comenta o geólogo, atualmente professor do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Datações posteriores feitas com técnicas mais precisas definiram em 245 milhões de anos a queda do meteorito na região.
Naquela época a Terra era bem diferente da que conhecemos hoje. O clima era mais quente e seco e as placas tectônicas, imensos blocos rochosos que formam os continentes atuais, ainda se encontravam coladas umas às outras, fundidos em um continente único: a Pangéia. Esse supercontinente que se estendia no sentido norte-sul dividia o globo ao meio e era banhado a leste por um mar chamado Tétis e a oeste pelo Pantalassa, um imenso oceano que cobria quase toda a Terra. O que mais chama a atenção é que justamente nesse período ocorreu a maior das cinco extinções em massa a devastar a vida no planeta. Fósseis encontrados em diferentes regiões do mundo permitem estimar que 96% das espécies que povoavam os oceanos e 70% das que habitavam terra firme tenham sido eliminadas há 250 milhões de anos, data que marca a transição do período geológico Permiano para o Triássico. Há até mesmo quem acredite que essa extinção tenha favorecido a soberania dos dinossauros, que surgiriam tempos mais tarde.

É pouco provável que o meteorito de Araguainha tenha sido o único responsável pela maior extinção da vida do planeta. Mas alguma contribuição ele pode ter dado, uma vez que o choque liberou uma quantidade de energia tão grande que causou em toda a região mais estragos do que se imaginava, revela um extenso trabalho realizado pela equipe de Yára Marangoni, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP).

Em 2005 Yára reuniu especialistas de diferentes áreas da USP e da Unicamp e, em viagens de carro que duram dois dias a partir de São Paulo, os pesquisadores decidiram visitar a região, com o objetivo de investigar como o meteorito havia afetado as camadas mais profundas da crosta terrestre, que hoje se encontram expostas no centro da cratera. Associando técnicas distintas, esse trabalho vem permitindo redimensionar a intensidade do choque e a deformação provocada abaixo da superfície. Após quase dois anos de estudos e três expedições a Araguainha, a equipe de Yára já tem uma idéia mais precisa de como era a região antes da queda do meteorito e da profundidade dessa ferida aberta na pele do planeta. Também consegue estimar melhor o quanto já cicatrizou e foi apagado pelo vento e pela chuva.

Quando um bloco rochoso com 4 a 6 quilômetros de diâmetro despencou dos céus a milhares de quilômetros por segundo perto de onde hoje é Araguainha, a região era uma vasta restinga, submersa alguns metros em água salgada. A violência do impacto afetou imediatamente a região compreendida por um círculo de uns 30 quilômetros de diâmetro: a energia do choque transformou em vapor a água que havia ali e cavou um buraco com quase 2 quilômetros de profundidade, afirma o grupo de Yára em um artigo publicado em outubro no Geological Society of America Bulletin. O ponto diretamente atingido pelo meteorito foi submetido a altíssimas pressões. Mas não por muito tempo. Assim como uma pessoa que cai em uma cama elástica é lançada de volta ao ar, o alívio da pressão no centro do impacto fez brotar à superfície um gigantesco bloco de granito, rocha muito dura e antiga, que estava a dois quilômetros de profundidade – muito distante do centro da Terra, visitado pelos exploradores do livro de Júlio Verne. Esse núcleo com quase 5 quilômetros de diâmetro é parte da zona elevada no centro da cratera e inclui a atual serra da Arnica, a mesma que Ojeda visitou anos atrás à procura da cratera, também conhecida como domo de Araguainha.

Como se descobriu isso? É simples. Os geólogos Cristiano Lana, Ricardo Trindade e Elder Yokoyama analisaram as rochas que formam o relevo da região e constataram que camadas que deveriam estar a centenas de metros de profundidade apareciam ao nível do solo, como se as entranhas da Terra tivessem sido expostas. “A pressão do impacto fundiu parte dos sedimentos e após resfriar fez surgir no centro da cratera uma camada de 100 metros de espessura de uma rocha que contém fragmentos microscópicos de vidro”, conta Trindade.

Com um equipamento que mede variações na aceleração da gravidade – e permite estimar a densidade das rochas de uma região –, Yára e Marcos Alberto Vasconcelos avaliaram 300 pontos no interior da cratera. Notaram que a energia liberada no choque gerou danos muito abaixo da atual superfície. “A quase 2 quilômetros de profundidade é possível detectar os efeitos desse impacto no granito, que trincou e se tornou muito menos denso do que geralmente é”, conta a geofísica.

Os efeitos do choque se propagaram para muito além do núcleo e amarrotaram a crosta terrestre. Mapas tridimensionais produzidos a partir de imagens de satélite por Lana e Carlos Roberto Souza Filho, da Unicamp, mostram que círculos concêntricos se formaram em torno do local de impacto, como quando se lança uma pedra em uma bacia com água. Uma primeira cadeia circular de morros de até 500 metros de altura e quilômetros de extensão erigiu-se a 12 quilômetros do local de impacto, e uma segunda um pouco mais adiante, de 14 a 18 quilômetros do núcleo.

Nem tudo, claro, continua igual. “Nesses milhões de anos esses morros perderam de 250 a 350 metros de altitude devido à ação do vento e da chuva”, explica Yára. Apesar desse desgaste natural, os pesquisadores afirmam que a cratera permanece muito parecida com a que se formou logo após o impacto. “É difícil ter acesso a uma cratera com estruturas bem conservadas como a de Araguainha”, diz Trindade. Muitos geólogos acreditam que crateras escavadas por meteoritos tenham sido muito mais comuns do que se pode imaginar. No início da formação do Sistema Solar os planetas mais próximos ao Sol, incluindo a Terra, foram fortemente bombardeados por meteoritos. A diferença por aqui é que as condições climáticas e a movimentação das placas tectônicas apagaram parte dessa história, que permanece gravada nas crateras de Marte ou mesmo da Lua.

Como primeiro passo para proteger Araguainha, anos atrás Crósta registrou a cratera na lista da Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleobiológicos com os principais sítios geológicos nacionais, candidatos a serem classificados como patrimônio da humanidade pela Unesco. No início deste ano as prefeituras de Ponte Branca e Araguainha e o Ibama assinaram um documento propondo a criação de uma área de proteção ambiental na área da cratera. “Essa é uma forma de a região obter recursos para preservar as estruturas da cratera e adotar iniciativas como painéis explicando o que aconteceu por ali e programas de educação e divulgação nas escolas locais”, afirma Crósta. “Se não transmitirmos esse tipo de informação, há risco de os afloramentos rochosos serem destruídos.”

Ruy Ojeda, que até março era secretário de Meio Ambiente e Turismo de Ponte Branca, vê na conservação da cratera uma oportunidade de renascimento econômico para a região, que empobreceu desde o fim dos garimpos de pedras preciosas em meados do século passado. Desde que descobriu a cratera cinco anos atrás, se apaixonou e leu tudo o que pôde a respeito. E decidiu compartilhar com os moradores da região e de outras cidades o conhecimento sobre esse passado distante. “Não meço o tempo para falar sobre esse assunto”, diz Ojeda, que é conhecido como o embaixador do domo de Araguainha.

O projeto
Caracterização geofísica e petrofísica da estrutura de impacto de Araguainha

Modalidade
Linha Regular de Auxílio a Pesquisa

Coordenadora
Yára Regina Marangoni – IAG/USP

Investimento
R$ 257.847,75 (FAPESP)

Revista da FAPESP
http://www.revistapesquisa.fapesp.br/


Fonte: Controvérsia (Blog) com a gentil colaboração do meu amigo Antônio Fernando Vieira Janczur, que me contactou por email e me falou sobre o acontecido. Leia mais sobre o que saiu na imprensa à época AQUI e AQUI. E o trabalho científico completo AQUI. E AQUI a história completa incluindo vídeos!


quinta-feira, 26 de junho de 2008

Pescador é morto por duas onças no Pantanal!


Casal de animais arrancou jovem da barraca e o atacou; cenas de violência foram presenciadas pelo pai da vítima que nada pode fazer



Sinézio Alcântara

Especial para A Gazeta


Um pescador foi atacado e morto por duas onças na região do Pantanal, em Cáceres. Luiz Alex da Silva Lara, 22, estava acampado, em companhia do pai, Alonso Silva Lara, 45, na localidade denominada "Pacu Gordo", próximo a estação ecológica do Taiamã, no rio Paraguai, no sentido a Corumbá. O ataque aconteceu às 19h de terça-feira (24). Os animais, possivelmente um casal, surpreenderam o pescador quando ele dormia no acampamento.

As onças rasgaram a barraca e o puxaram pela cabeça. Ao retornar, o pai, que havia saído para pegar iscas, ainda assistiu o filho ser dilacerado. Alonso diz que nada pode fazer porque estava sem nenhuma arma de fogo. Ele ainda tentou tomar o filho das garras das onças, com um facão. Mas as tentativas foram inúteis, porque todas as vezes que ele aproximava, os animais ameaçavam atacá-lo.

"Foi o momento mais difícil de minha vida ver o meu filho ser morto e não poder fazer nada. Se fosse só uma talvez eu tivesse conseguido, mas eram duas, se eu insistisse elas me matavam também", disse Alonso. O pai conta que os animais arrastaram o corpo por cerca de 50 metros. Após o pedido de socorro, outros pescadores compareceram, mas Luiz estava morto. Após atacar e matar, as onças comeram as bochechas e a parte da nuca do pescador. A família não permitiu fazer imagem do corpo, durante necropsia no Instituto Médico Legal (IML), na manhã de ontem, em Cáceres, devido ao estado do corpo. A cabeça, principalmente, estava totalmente desfigurada.

Alonso Lara conta que esse não foi o primeiro ataque de onças naquela região. Pescadores de outros acampamentos, segundo ele, também já foram atacados. O corpo do pescador foi resgatado com autorização da Polícia Civil pelo barco Babilônia. Da reserva ecológica do Taiamã. O corpo chegou em Cáceres na manhã de ontem, onde até as 12h permanecia no IML para realização da necropsia. O pescador foi velado na rua da Violetas, no bairro Jardim Vila Nova.


quinta-feira, 22 de maio de 2008

Tradição Matogrossense: Guaraná Ralado!

A Lenda do Guaraná
 

Um casal de índios pertencente a tribo Maués, vivia junto por muitos anos sem ter filhos mas desejavam muito ser pais. Um dia eles pediram a Tupã para dar a eles uma criança para completar aquela felicidade. Tupã, o rei dos deuses, sabendo que o casal era cheio de bondade, lhes atendeu o desejo trazendo a eles um lindo menino.

O tempo passou rapidamente e o menino cresceu bonito, generoso e bom.

No entanto, Jurupari, o deus da escuridão, sentia uma extrema inveja do menino e da paz e felicidade que ele transmitia, e decidiu ceifar aquela vida em flor.

Um dia, o menino foi coletar frutos na floresta e Jurupari se aproveitou da ocasião para lançar sua vingança. Ele se transformou em uma serpente venenosa e mordeu o menino, matando-o instantaneamente.

A triste notícia se espalhou rapidamente. Neste momento, trovões ecoaram e fortes relâmpagos caíram pela aldeia. A mãe, que chorava em desespero, entendeu que os trovões eram uma mensagem de Tupã, dizendo que ela deveria plantar os olhos da criança e que deles uma nova planta cresceria dando saborosos frutos.

Os índios obedeceram aos pedidos da mãe e plantaram os olhos do menino.

Neste lugar cresceu o guaraná, cujas sementes são negras, cada uma com um arilo em seu redor, imitando os olhos humanos.

(Lenda indígena / Bruxo-els)

Fonte: http://www.ufsc.br/~esilva/Lenda003.html

Eu tomo, todos os dias pela manhã o Guaraná Ralado, em pó, e me faz muito bem! Agora, se é afrodisíaco mesmo ou não, isso eu nunca vou contar. Só achei esquisito que eu como biólogo não conheça essa flor aqui:


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Morre o autor do Discoporto (Aeroporto para Discos Voadores)


Morre Varjão, autor do projeto do Discoporto



Valdon Varjão ocupou vários cargos eletivos

Morre, aos 84 anos, em Cuiabá, de falência múltiplas dos órgãos, o ex-deputado federal, ex-senador e ex-prefeito por dois mandatos de Barra do Garças, Valdon Varjão, maior político da velha guarda da região do Araguaia. Ele estava na UTI do Hospital Santa Rosa há cerca de 15 dias. Faleceu neste domingo, às 12h.

O corpo será levado para Barra do Garças. A família não sabe ainda onde será velado. Varjão deixa órfãos a esposa Maria Rosa Varjão e quatro filhos: José de Arimatéia, Maria Honorária, Malba Tânia e Joemar Nicodemos Varjão.

Valdon Varjão ganhou projeção nacional com seu projeto que resultou na construção em Barra do Garças do primeiro Discoporto do Brasil, ou seja, um local exclusivo para a aterrissagem de discos voadores. O Discoporto (Ovniporto) está localizado nas proximidades da região do Serra do Roncador, lugar que se tornou um dos principais pontos de atividade do turismo ufológico no país. Por causa desse projeto muitos chegaram a classificá-lo de louco e lunático. Varjão participou até do Programa do Jô, da Rede Globo, motivado pelo Discoporto.

(Romilson Dourado e Ronaldo Couto)

Carnaval em Barra homenageia Varjão

Por coincidência, os enfeites de Carnaval em Barra do Garças representam uma homenagem ao seu filho ilustre Valdon Varjão, que faleceu neste domingo, em Cuiabá. A prefeitura decorou as principais ruas e avenidas com imagens de disco voador, em alusão ao discoporto, projeto idealizado por Varjão. Batizou o carnaval deste ano de Galáxias, uma iniciativa do prefeito Zózimo Chaparral, que foi vereador junto com Varjão.

Ex-prefeito 2 vezes lançou 28 livros

Valdon Varjão escreveu 28 obras, várias delas retratando a história de Barra do Garças e do Vale do Araguaia. Foi prefeito de Barra do Garças por duas vezes (59/63 e 73/77), vereador, deputado estadual, senador e membro da Academia Mato-Grossense de Letras. Chegou ao Congresso Nacional como primeiro senador negro da República e foi autor do projeto proibindo a venda de órgãos humanos no Brasil.

Varjão participou do Programa do Jô

Em 1986, Valdon Varjão encerrava a sua carreira polítca na condição de vereador por Barra do Garças. No mesmo ano ele apresentou o projeto criando o discoporto - espécie de aeroporto para aterrisar discos voadores. A idéia considerada visionária por ele acabou lhe rendendo uma participação no Programa do Jô, do humorista Jô Soares, e uma estrutura de um disco voador no alto da Serra Azul, de Barra do Garças.

Ex-prefeito mantinha valioso acervo

Valdon Varjão possui o maior acervo de fotos, livros e objetos históricos de Barra do Garças. Entre as relíquias do município, guardava consigo um osso supostamente de dinossauro e pedaço de pedra que supõe-se que seja de um meteorito. As histórias de Varjão fizeram dele um amigo dos irmãos Villasboas com participação em documentários que são apresentados na TV Cultura. Valdon Varjão pertencia a outros dois líderes políticos da velha guarda de Barra do Garças: Ladislau Cristino Cortes e Wilmar Peres de Farias.

Prefeito Chaparral decreta luto oficial

O prefeito de Barra do Garças, Zózimo Chaparral (PC do B), acaba de decretar luto oficial de três dias. Por uma decisão da família, o carnaval de rua que acontece na porta da casa de Valdon Varjão vai continuar.

Não foi morte dolorosa, diz uma das filhas

"Ele relutou muito. Morreu tranquilo. Não foi uma morte dolorosa", conforta-se Maria Honorária, uma das quatro filhas de Valdon Varjão, em contato por telefone com o RDNews, enquanto, ainda no Hospital Santa Rosa, cuidava dos preparativos para o transporte do corpo do pai para Barra do Garças. Para Maria, o ex-prefeito Varjão "foi o maior herói da família". Afirma que ele mostrou muita persistência e vontade de viver por mais tempo. "Infelizmente, chegou no limite. Não suportou mais", diz, ao explicar que Varjão teve falência dos órgãos, após complicações por causa de pneumonia, paralisação dos rins e perda dos movimentos do corpo. "Agora, Barra do Garças, em ritmo de Carnaval e em homenagem a ele (Varjão) vai recebê-lo, em festa".

Fonte: RDNews

Valdon Varjão morre aos 84 anos


Texto de Ronaldo Couto e Marcos Dantas

LEIA POEMA DE AIRTON REIS

(03.02.08) BARRA DO GARÇAS - Há vários meses internado, Valdon Varjão faleceu nesta tarde (13h00) no Hospital Santa Rosa, em Cuiabá/MT. Varjão é natural de Cariús-CE e chegou ao Vale do Araguaia ainda bem jovem. Foi garimpeiro, comerciante, agropecuarista, tabelião, contador, contista, escritor, jornalista, fundador e membro do Instituto Historio e Geográfico de Mato Grosso, publicando os livros: Como e Por que Trabalham os Pedreiros Livres(Obra Maçônica), Barra do Garças no Passado(Histórica), Avante! Filhos da Viúva(Obra Maçônica), Negro Sim, Escravo Não(Separata de Discurso), A Integração Racial(Conferência), Filinto Muller, Um líder(Separata de Discurso), Seca do Nordeste(Separata de Discurso) e Janela do Tempo(Histórico).

Membro-fundador da Academia de Letras e Cultura do Centro Oeste, Valdon Varjão sempre se preocupou em arquivar os fatos registrados na história de Barra do Garças e região, sendo referência como o maior arquivista de recortes de jornais, revistas e também fotografias e imagens antigas da região. Valdon foi eleito prefeito de Barra do Garças por duas vezes(1959 a 1963 / 1973 a l977), vereador, deputado estadual, senador (biônico) da República; sendo o primeiro negro no senado brasileiro, se destacando pelo projeto de sua autoria proibindo a venda de órgãos humanos no Brasil. Em 2000, Valdon Varjão tentou se reeleger vereador mas perdeu a eleição. Na condição de vereador de Barra do Garças, apresentou o projeto criando o “Discoporto(uma espécie de aeroporto para aterrissar discos voadores)”. A idéia considerada visionária por ele, acabou lhe rendendo uma participação no programa de Jô Soares (Globo).

Na época, sua condição privilegiada o aproximou dos irmãos sertanistas Villas Boas com os quais teve a oportunidade de participar de documentários exibidos pela TV Cultura. O prefeito de Barra do Garças, Zózimo Chaparral, decretou luto oficial de três dias, e por decisão da família, o carnaval de rua que ocorre na porta da casa de Valdon Varjão que também gostava da folia de momo. O tema do carnaval este ano é “O Carnaval das Galáxias”, decorado pelo artista plástico Genito Santos que homenageia Valdon Varjão. O corpo de Varjão será velado amanhã (04) no auditório da Prefeitura de Barra do Garças.

Viagem Sideral

por Airton Reis
04.02.08


“Carnaval das Galáxias” no Leste de Mato Grosso. Barra do Garças em despedida ao som da bateria em percussão. Valdon Varjão na galeria dos ilustres consagrados pelo voto popular de eleição em eleição. Valdon Varjão representante de um povo irmanado no alvorecer da democracia.

Valdon Varjão no refrão: “Negro sim, escravo não”! Valdon Varjão no parlamento e no executivo municipal. Valdon Varjão no Congresso Nacional. Valdon Varjão no portal das letras mato-grossenses além de uma academia. Valdon Varjão patrono da cidadania estelar. Valdon Varjão nas páginas do Livro da Vida prefaciado pelo verbo representar. Valdon Varjão na fraternidade universal conjugada em todos os tempos. Valdon Varjão na força da palavra de um sertanista. Valdon Varjão na morada eterna reservada a um político humanista. Valdon Varjão em samba enredo sideral. Valdon Varjão em acolhida fraternal. Valdon Varjão em chegada iluminada pelos astros de um mesmo firmamento. Valdon Varjão nas referências de um legislador. Valdon Varjão na viagem com escala na Casa do Pai e Criador.

Valdon Varjão em separatas que marcaram época pela “Integração Racial”. Valdon Varjão na “Janela do Tempo” da humanidade irmanada em constelação universal. Valdon Varjão no refrão da Bandeira em Pavilhão Nacional iluminado. Valdon Varjão em verso poetizado pela rima livre. Valdon Varjão em história sem capítulo final. Valdon Varjão na Primavera de um jardim sideral. Valdon Varjão em pegadas trilhadas em direção ao social. Valdon Varjão no vértice do tempo das mãos dadas. Valdo Varjão no horizonte das palavras publicadas.

Vai Valdon Varjão, vai! Encontre a Luz do Arquiteto do Universo brilhante em outras dimensões. Encante outras platéias com as suas convicções. Diga sim ao povo brasileiro esquecido em conquistas e em constantes privações. Anuncie a liberdade tantas vezes calada antes e depois de uma senzala colonial. Brilhe na magnitude de uma estrela doravante dourada, colossal. Adentre o portal dos mansos e dos pacíficos em alvorada celestial.

Comungue o pão da vida em aurora divinal. Esteja sempre conosco em verso e poesia. Seja para nós brasileiros o ícone consagrado pela autêntica democracia. Exerça a cidadania sem fronteira e sem olhos fechados diante da desigualdade seja ela qual for. Aviste a Luz do Bom Pastor. Seja símbolo de um tempo assinalado pela boa vontade. Esteja na memória desta Capital e daquelas cidades que você viu nascer, crescer e integrar ao lábaro estrelado que nos faz sociedade num mesmo Estado Federado. Vai Valdon Varjão, vai! Mato Grosso se despede em samba enredo iluminado pela fênix de um Brasão institucional. Adentre o portal dos irmanados em filiação universal. Pouse com suas asas prateadas na pátria espiritual. Barra do Garças lhe concede o título imortal de um cidadão em viagem sideral.

Airton Reis é poeta em Cuiabá-MT. E-mail: airtonreisjr@gmail.com

Fonte:
Jornal Local On Line (www.jlocal.com.br)


Mato Grosso, Barra do Garças - Município situado a 500 km de Cuiabá, à beira da Serra Azul e da Serra do Roncador.

Mato Grosso, 04/02/2008 - Valdon Varjão, 84 anos, morreu no domingo, às 14h, no Hospital Rosa, em Cuiabá, de falência múltipla dos órgãos.

Mato Grosso, 04/02/2008 - Ele foi o autor de lei para a criação do Discoporto em Barra do Garças (MT).

Mato Grosso, 04/02/2008 - Relatos ufológicos e místicos inspiraram, há 12 anos, o ex-vereador a criar a Lei Municipal nº 1.840 sancionada pelo ex-prefeito, Vilmar Peres de Faria, em 1995.

Mato Grosso, 04/02/2008 - Pelo projeto, cinco hectares seriam destinados à construção de uma pista de pouso de Objetos Voadores Não-Identificados (Ovnis), o Discoporto, no Parque Estadual da Serra Azul, próximo à Serra do Roncador.




Brasília, quarta-feira, 02 de outubro de 2002

natureza mística
Direto de outro planeta

A mística Barra do Garças está preparada para receber a visita de extraterrestres, inclusive com projeto aprovado pela Câmara de Vereadores para a construção de um discoporto

Fotos: Nehil Hamilton
A nave feita de chapas de aço coloridas chama a atenção dos visitantes que se divertem tirando fotos. No lugar será construído o primeiro discoporto do Brasil


Valdon é o contador de causos de Barra do Garças

Vida dentro e fora do planeta Terra. Em Barra do Garças, até índio já teve contato com seres extraterrestres. Poucos são aqueles moradores que não têm uma boa história para contar sobre luzes que brilham e se movimentam em meio a escuridão dos céus do Mato Grosso. Relatos como o da geógrafa Takako Kondo contribuem para reforçar a fama esotérica da cidade. Foi com os olhos puxados de descendente japonesa que a paulista de 64 anos viu pela primeira vez um ‘‘objeto voador não identificado’’, há cinco anos. ‘‘Estava na tribo Xavante quando três luzes muito fortes apareceram no céu. Pensei que elas fossem eclodir, mas quando chegaram perto uma da outra, a luz desapareceu’’, relembra Takako.

A crença de que viu um disco voador está na certeza da existência de outros povos fora da Terra. ‘‘É muita pretensão acreditarmos que somos os únicos. Tem gente que vê e não acredita, eu sim’’, garante a geógrafa. E essa não foi a última vez que os extraterrestres apareceram para a mística. Takako também descreve uma nave prateada, cheia de janelas e em movimento horizontal — ‘‘igual a dos filmes’’ — que teria aparecido entre as nuvens durante uma viagem de avião de São Paulo para Uberlândia.

Apesar da certeza de alguns, nenhum sinal de presença desconhecida foi detectado pelos radares atentos do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfico Aéreo (Cindacta), da Aeronáutica, responsável pelo controle aéreo da região.

Fato ou imaginação, com ou sem o aval da tecnologia, os moradores de Barra do Garças estão prontos para receber visita tão ilustre. Com um currículo invejável de político que já ocupou cargo de deputado estadual, federal, senador e a cadeira de prefeito de Barra por três vezes, o cearense Valdon Varjão mora na região há 65 anos e não há um cidadão que desconheça esse contador de causos bem-humorado. Personalidade assim, cheia de graça. Ninguém melhor que ele para propor a criação de um discoporto, ou trocando em miúdos, um aeroporto para a discos voadores.

‘‘Eu queria colocar Barra do Garças na mídia, pois aqui não tinha exploração turística nem divulgação. Como sempre teve um misticismo muito forte, aproveitei a idéia’’, garante Valdon que acredita em ETs, embora ‘‘não espere conhecê-los um dia’’. Em 1995, o discoporto saiu do papel e foi aprovado pela Câmara de Vereadores, agora falta construir.

O local escolhido para recepcionar nosso vizinho foi o alto do Parque Estadual da Serra Azul, a 4km da cidade. Nada de sobrenatural no descampado de terra vermelha que justificasse a escolha do local do projeto. ‘‘Ali era o lugar mais fácil para a futura construção’’, explica o historiador.

Se extraterrestres realmente rondam o Mato Grosso, eles preferiram ficar pelos céus. Nenhum até hoje se arriscou a pousar no lugar reservado para a construção da parafernália que fará as vezes do único discoporto do Brasil. Enquanto o maquinário não chega — se é que um dia ele virá — uma nave feita com chapas de aço coloridas é diversão para a crianças, que podem entrar dentro da geringonça e levar uma foto para casa.

Quem já não é mais criança e não pode entrar na nave de mentirinha, pelo menos tem a possibilidade de levar uma lembrança do painel de placa galvanizada em forma de extraterrestres. É só colocar a cabeça no buraco do painel para se sentir um verdadeiro ET, esverdeado e com grandes olhos vermelhos. (F.D.)



Trouxe o post completo lá no meu outro blog By Osc@r Luiz.