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segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Francisco de Aquino Correia, ou simplesmente "Dom Aquino Correia"


Francisco de Aquino Correia
(Cuiabá, 2 de abril de 1885 — São Paulo, 22 de março de 1956) foi arcebispo de Cuiabá e governante de Mato Grosso. Foi também poeta e escritor, e foi ainda o primeiro mato-grossense a pertencer à Academia Brasileira de Letras (Quarto ocupante da Cadeira 34, eleito em 9 de dezembro de 1926, na sucessão de Lauro Müller e recebido pelo Acadêmico Ataulfo de Paiva em 30 de novembro de 1927). Foi também um dos principais incentivadores à fundação da Academia Mato-grossense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso.

Era filho do casal Antônio Tomás de Aquino Correia e Maria de Aleluia Guadie Ley (1847-1867), filha de Joaquim Gaudie Ley e neta de André Gaudie Ley. Iniciou os estudos no Colégio São Sebastião e fez o curso no Seminário da Conceição. Depois, passou a freqüentar o Liceu Salesiano de São Gonçalo, onde recebeu o grau de bacharel em Humanidades. Em 1902, ingressou no Noviciado dos Salesianos de Dom Bosco em Cuiabá, ordenando-se sacerdote em 1903 e iniciando o curso de Filosofia. Em 1904, seguiu para Roma, onde matriculou-se, simultaneamente, na Universidade Gregoriana e na Academia São Tomás de Aquino, por onde haveria de doutorar-se em Teologia, em 1908. Em 17 de janeiro de 1909, já tendo recebido todas as Ordens Menores e Maiores, foi ordenado presbítero.

De volta ao Brasil, foi nomeado diretor do Liceu Salesiano de Cuiabá, cargo que desempenhou até 1914, quando foi designado, pelo Papa Pio X, para titular do Bispado de Prusíade e Auxiliar do Arcebispo da Diocese de Cuiabá, cargo em que foi investido em 1º de janeiro de 1915, aos 29 anos, sendo, então, o mais jovem bispo do mundo.

Em 1919, o papa Bento XV conferiu-lhe os títulos de Assistente do Sólio Pontifício e Conde Palatino. Em 1921, com o falecimento do Arcebispo Dom Carlos Luís de Amour, foi elevado ao Arcebispado de Cuiabá, recebendo o Pálio Arcepiscopal das mãos de Dom Duarte Leopoldo e Silva, arcebispo de São Paulo.


Influente na Política


Em 1917, indicado pelo governo de Venceslau Brás como elemento conciliador, fora eleito governador de Mato Grosso para o período de 1918-1922. Ali se manteve à altura de sua consciência democrática, de sua capacidade construtiva e de seu profundo sentimento patriótico. Amparou a cultura regional, tomando a iniciativa de fundar a Academia Mato-grossense de Letras onde, depois, como titular, seria aclamado por unanimidade Presidente de Honra. Criou também o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, do qual foi eleito Presidente Perpétuo.

Suas Obras

  • Odes, poesia, 2 vols. (1917)
  • Terra natal, poesia (1920)
  • A flor d'aleluia, poesia (1926)
  • Discursos, oratória (1927)
  • O Brasil novo, discurso (1932)
  • Castro Alves e os moços, discurso (1933)
  • Oração aos soldados, discurso (1937)
  • O Padre Antônio Vieira, discurso (desconhecida)
  • Nova et vetera, poesia (1947)
  • Cartas pastorais, ensaios e conferências publicadas na imprensa do país, não reunidas em livro.

Escreveu ainda obras de geografia e história: A fronteira de Mato Grosso/Goiás, memória sobre os limites entre os dois estados, e o Brasil em Genebra (1919).

Fonte: Wikipedia

Fique então com uma amostra maior do que Dom Aquino representa para Mato Grosso no cenário da poesia e da literatura nacional, no texto que encontrei no excelente site http://www.antoniomiranda.com.br, na seção "Poesia dos Brasis".


DOM AQUINO CORRÊA



D. Aquino Correia (nome civil: Francisco A. C.), sacerdote, prelado, arcebispo de Cuiabá, poeta e orador sacro, nasceu em Cuiabá, MG, em 2 de abril de 1885, e faleceu em São Paulo, SP, em 22 de março de 1956. Eleito em 9 de dezembro de 1926 para a Cadeira n. 34, na sucessão de Lauro Müller, foi recebido em 30 de novembro de 1927, pelo acadêmico Ataulfo de Paiva.

Era filho do casal Antônio Tomás de Aquino e Maria de Aleluia Guadie-Ley Correia. Cedo revelou sua inteligência, amor aos estudos e vocação religiosa. Iniciou os estudos no Colégio São Sebastião e fez o curso no Seminário da Conceição. Depois passou a freqüentar o Liceu Salesiano de São Gonçalo, onde recebeu o grau de bacharel em humanidades. Em 1902 ingressou no Noviciado dos Padres Salesianos de D. Bosco em Cuiabá, ordenando-se sacerdote em 1903 e iniciando o curso de Filosofia. Em 1904 seguiu para Roma, onde matriculou-se, simultaneamente, na Universidade Gregoriana e na Academia São Tomás de Aquino, por onde haveria de doutorar-se em Teologia, em 1908. Em 17 de janeiro de 1909, já tendo recebido todas as Ordens Menores e Maiores, foi ordenado presbítero.

De volta ao Brasil, foi nomeado diretor do Liceu Salesiano de Cuiabá, cargo que desempenhou até 1914, quando foi designado, por SS. Pio X, para titular do Bispado de Prusíade e Auxiliar do Arcebispo da Diocese de Cuiabá, cargo em que foi investido em 1o de janeiro de 1915, aos 29 anos, sendo, então, o mais moço entre todos os bispos do mundo.

Em 1919, o papa Bento XV conferiu-lhe os títulos de Assistente do Sólio Pontifício e Conde Palatino. Em 1921, com o falecimento do Arcebispo Dom Carlos Luís de Amour, foi elevado ao Arcebispado de Cuiabá, recebendo o Pálio Arcepiscopal das mãos de Dom Duarte Leopoldo e Silva, arcebispo de São Paulo. Em 1917, indicado pelo governo de Venceslau Brás como elemento conciliador, fora eleito governador do seu Estado para o período de 1918-1922. Ali se manteve à altura de sua consciência democrática, de sua capacidade construtiva e de seu profundo sentimento patriótico. Amparou a cultura regional, tomando a iniciativa de fundar a Academia Mato-grossense de Letras onde, depois, como titular, seria aclamado por unanimidade Presidente de Honra. Criou também o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, do qual foi eleito Presidente Perpétuo.

Autor de inúmeras e notáveis Cartas pastorais, de discursos, trabalhos históricos e poesias, D. Aquino Correia publicou Odes, o seu primeiro livro de versos, em 1917, seguido de Terra natal, onde reuniu poemas de exaltação a Mato Grosso e ao Brasil, cheios de suave lirismo e fascínio pelo seu torrão.

"Há, na poesia de D. Aquino disse o embaixador e acadêmico José Carlos de Macedo Soares um forte lirismo que combina bem com o seu poder descritivo, não só quando ele narra um episódio, como também quando invoca uma paisagem ou simplesmente uma viva emoção."

Mais tarde deu a público alguns trabalhos em prosa. O escritor escorreito está em todas essas páginas, tantas delas revelando o interesse de D. Aquino pelas coisas nacionais.

O seu domínio na tribuna pública era absoluto. Não só como orador sacro era admirado, senão também na tribuna das conferências, como o confirmou, em várias entidades culturais. Destacam-se a conferência magnífica sobre o "Centenário do Bispado de Cuiabá", proferida no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, onde foi recebido em 1926; a "Mensagem aos homens de letras", proferida na Academia Brasileira de Letras; "A verdade da Eucaristia", oração inaugural do V Congresso Eucarístico de Porto Alegre, em 28 de outubro de 1948.

Obras: Odes, poesia, 2 vols. (1917); Terra natal, poesia (1920); A flor d’aleluia, poesia (1926); Discursos, oratória (1927); O Brasil novo, discurso (1932); Castro Alves e os moços, discurso (1933); Oração aos soldados, discurso (1937); O Padre Antônio Vieira, discurso (s.d.); Nova et vetera, poesia (1947); cartas pastorais, ensaios e conferências publicadas na imprensa do país, não reunidas em livro. Escreveu ainda obras de geografia e história: A fronteira de Mato Grosso Goiás, memória sobre os limites entre os dois estados, e o Brasil em Genebra (1919).

Gentileza Academia Brasileira de Letras www.academia.org.br, transcrito em:

http://www.biblio.com.br/conteudo/biografias/domaquinocorreia.htm

Poema extraído da obra CHUVA DE POESIAS, CORES E NOTAS NO BRASIL CENTRAL, 2 ed., de Sônia Ferreira. Goiânia:Editora da UCG; Editora Kelps, 2007, com a autorização da autora.



DEUS!



Quem fez, ó minha alma, estas verdes campinas,

Quem fez a bonina, quem fez estes céus?

Quem fez nestas vargens as lindas palmeiras,

Louçãs e altaneiras, quem foi, senão Deus?



Quem fez esses astros que brilham nos ares,

Quem fez dos luares os fúlgidos véus?

Quem fez essas aves gazis e canoras,

Quem fez as auroras, oh! quem, senão Deus?



Quem fez esse plácido olhar do inocente

Que fala, eloqüente, até mesmo aos incréus?

Quem fez o sorriso das mães carinhosas,

Melhor do que as rosas, quem foi, senão Deus?



Quem foi que te deu, com a fé e a esperança,

O amor, essa herança negada aos ateus?

Oh! quem contará outras dádivas santas,

Tão ricas e tantas, que houveste de Deus?



São mais, muito mais que as infindas estrelas,

Que orvalham, tão belas, o azul destes céus;

São mais do que as flores gentis desta terra,

Que, entanto, as encerra infinitas, meu Deus!



Quem, pois, ó minha alma, tem tantos direitos

Aos férvidos preitos dos cânticos teus?

A quem votarás dos teus santos amores

As místicas flores; a quem? só a Deus!








AS LAVRAS DO SUTIL



Antemanhã, quando no céu de leste,

Mal se esgarçava em luz a noite mansa,

Miguel Sutil de Sorocaba avança,

Rumo ao mistério do sertão agreste.



Estrada longa e atroz! Mas ele a investe,

Com redobrado heroísmo, e não se cansa.

Vão-lhe à frente dois índios, e a Esperança

Visões de ouro não há, que não lhe empreste.



E ei-los que chegam a estes sítios belos,

Onde o outro excede todos os castelos,

Do sonho audaz do bandeirante. Lá,



Ao longe, em praias verdes e desertas,

Faiscava o rio... Estavam descobertas

As minas imortais do Cuiabá.








CORUMBÁ



Qual outrora, ao mirífico arrepio

Da onda azul do mar Jonio, a deusa Venus,

Assim nasceste, sob os céus serenos,

À flor do lindo pantanal bravio.



Tão bela é tu, que o teu selvagem rio,

Ao morder estes céspedes amenos,

Dá longas voltas por que possa, ao menos,

Contemplar teu mimoso casario.



E uma vez ele viu (hórrido agouro!)

Ai! Viu-te, como Andrômeda no oceano,

Amarrada a este escolho negro e duro.



Mas tu, calçando-te os talares de ouro

De Mercúrio, largaste o vôo ufano,

Para este azul glorioso do futuro!








RIO ARAGUAIA



Rio que rolas majestosamente,

Sobre diamantes, na itaipava hirsuta!

Não mais te abala, na selvagem luta,

Do bravo Ubirajara o grito horrente!



Não mais, à flor da lânguida corrente,

Por onde o boto espalma a cauda bruta,

Não mais o silvo do vapor se escuta,

Ondeando, além, na praia alvinitente!



Não mais! Não mais! Silêncio... a tarde finda,

E as onda beijam os destroços vagos

De velhas naus, numa elegia infinda...



Mas do teu fado nos castelos magos,

A Glória dorme, com dorme ainda

A pérola na concha dos teus lagos!





Terra Natal. 2ª. ed. 1922





“INDEPENDÊNCIA OU MORTE”



À “Brigada Branca” dos Colégios Salesianos





Foi sobre a tarde, quando o sol declina,

Hora divina das contemplações,

Hora do Gólgota, sublime hora,

Marcada outrora para as redenções.



Deus decretara redimir a terra,

Que o nome encerra da sagrada Cruz,

E a um jovem príncipe entregou a espada

Dessa cruzada de infinita luz.



O herói passava, em seu ginete airoso,

Ao sol radioso, que esmaltava os céus:

O ideal fremia-lhe na fronte inquieta,

Era a silhueta de um estranho deus!



Tinha a seus pés, por pedestal, o outeiro

Alvissareiro do Ipiranga em flor;

E a brisa e as árvores e a onda flava,

Tudo cantava de esperança e amor!



E quando ergueu aquele sabre de ouro,

E como estouro de vulcão fatal,

Rugiu nos céus: “Independência ou Morte”

Tinha no porte, um heroísmo ideal!



Responde ao grito, e, delirante, brada

A cavalgada, que nos fez nação;

E o luso tope, que algemava os braços,

Rola em pedaços no brasílio chão!



Entanto o grito: “Independência ou Morte!”

De sul a norte, num fulmíneo ecoar,

Livres bandeiras pelo azul desata,

Numa fragata lá transpõe o mar!



Desde o Itatiaia, que assoberba os ares,

Até Palmares, repercute a voz:

Ouvem-na os manes dos fatais guerreiros,

Dias, Negreiros e Poti feroz.



Sorri-lhe o espírito imortal de Anchieta,

Anjo e poeta, que o Senhor nos deu;

E, do além túmulo, como que suspira

A infausta lira do gentil Dirceu.



Brota de tudo, e se ouve um hino ardente,

Ardentemente, pelo azul cantar,

Um como hino de Natal que erra,

Do céu à terra, e da montanha ao mar!



E qual Andrômeda, sorrindo agora,

A voz canora do novel Perseu,

Tal surge a Pátria do Cruzeiro lindo,

Livre, sorrindo, para o azul do céu!



Sublime grito: “Independência ou Morte!”

Que o jugo forte do opressor destróis!

Da liberdade és o fatal dilema,

O eterno lema de um país de heróis!



Não és o grito da anarquia infame,

Que espuma e brame, contra Deus e o rei;

Tu és o cântico da liberdade,

Que não evade os muralhões da lei!



Tu és um raio dessa Cruz bendita,

Que além palpita, em nossos puros céus;

És o diadema de uma Pátria ingente,

Que, livre e crente, só se humilha a Deus!



1917





domingo, 7 de setembro de 2008

7 de Setembro: Dia da Independência. Será?

Independente ou não, fica aqui a homenagem deste blog a esta data, com um vídeo que mostra o Hino Nacional em vários ritmos, incluindo a "Viola de Cocho", instrumento tradicional da cultura mato-grossense:




sábado, 6 de setembro de 2008

Cururu e siriri: o resgate de duas tradições que colorem Mato Grosso


LUNA KALIL
Enviada especial a Cuiabá (MT)*

Duas manifestações folclóricas típicas da região pantaneira poderiam ter sido extintas se não fosse a dedicação de gerações em passar para frente os versos, passos e seqüências que fazem parte da cultura popular de Mato Grosso. Tradições seculares de origem indígena, mais populares nas zonas rurais e ribeirinhas, o cururu e o siriri não foram registrados em livros, nem em museus. Eles foram passados de geração para geração, de pai para filho, e devem sua sobrevivência à tradição oral. Até hoje, há pouca bibliografia sobre o assunto e os estudos que existem se baseiam normalmente nos relatos e na memória de alguns personagens que, aos 50, 60, 70, 80 e quase 90 anos de idade, contribuem para manter a tradição viva.

Assim como as escolas de samba no Carnaval, os grupos de siriri ensaiam o ano inteiro para, em agosto, mês do folclore mato-grossense, se apresentarem no festival em Cuiabá. Nos meses que antecedem o evento, eles se reúnem de duas a três vezes por semana para o treino.

Durante o festival, são 30 minutos de apresentação para cada grupo, mas que parecem durar uma eternidade. Dos dois lados do palco, os músicos tocam em uma pequena plataforma, dando força à coreografia. Os mais velhos, com lágrimas nos olhos, se orgulham da tradição pantaneira. Os mais novos, que antes tinham vergonha de dançar, mantêm o sorriso no rosto durante quase todo o espetáculo. Na arquibancada, crianças e adolescentes acompanham os passos ao ritmo dos grupos agitando a estrutura de metal. No siriri, ganham vida e interagem nas coreografias elementos de outras culturas, como o bumba-meu-boi e animais como o pássaro tuiuiú e a cobra sucuri.

A mulher que não deixou o siriri morrer

"Você está muito Parintins com esse cinto", diz com humor a turismóloga Ligiane Dauzacker para Dona Domingas, apontando para o cinturão de penduricalhos indígenas que a fundadora do primeiro grupo de siriri de Cuiabá carregava ao redor de seu corpo. Ligiane se referia à tradição folclórica amazonense, que tem alguns elementos semelhantes ao cururu e siriri de Mato Grosso. Dona Domingas caminhava em direção à porta da sala de imprensa, logo após ter dado uma entrevista para os jornalistas de São Paulo e do Rio, levados pela primeira vez para assistir ao festival em Cuiabá.

Dona Domingas é Domingas Eleonor da Silva, uma das lendas vivas da dança popular mato-grossense. "Eu sou uma das mães do siriri", se autodefine a cuiabana de 53 anos, que "há 47 " ajuda a resgatar a o folclore da região. Nascida na comunidade ribeirinha de São Gonçalo Beira Rio, região onde surgiu a cidade de Cuiabá, foi a primeira mulher de Mato Grosso a tocar o tamborim e ganhou fama por enfrentar de igual para igual cururueiros em roda.

Alfa Canhetti/Divulgação
Apresentação do grupo Flor Ribeirinha, um dos mais tradicionais de Cuiabá, na 7ª edição do Festival Cururu Siriri

VEJA MAIS FOTOS DE CURURU E SIRIRI

Hoje preside a Federação das Associações dos Grupos de Cururu e Siriri do Estado de Mato Grosso, que, recentemente, ganhou até uma sala dentro da Secretaria Municipal de Cultura de Cuiabá. "Enquanto eu for a presidente das associações, o festival será gratuito, para dar oportunidade para quem quiser ver."

A cuiabana, que fundou há 17 anos o grupo Flor Ribeirinha, um dos mais conhecidos na capital mato-grossense, diz ter no sangue a tradição indígena da dança e da música.

Siriri e cururu

'Brincar de dançar o siriri' é uma prática também encontrada no Nordeste e em outros Estados brasileiros. Em Mato Grosso, ele é dançado por crianças, homens e mulheres em rodas ou fileiras formadas por pares, que acompanham toadas cujos temas mudam de verso para verso e cujas composições exaltam santos, cidades, a natureza e até pessoas. Tocado em festas e reuniões, a origem do nome siriri é obscura e alguns acreditam ter esse nome em referência a um bicho homônimo.

Na dança, as meninas e mulheres mexem as longas e coloridas saias (com estampas florais) e batem os pés descalços no chão, um ritual que serve para tirar o mau espírito, que, segundo Dona Domingas, é mantido para não desapontar a tradição indígena; os homens e meninos acompanham a toada e os passos com palmas e pisadas fortes. "Eles usam sapatos porque fazem uma espécie de sapateado", explica. Os grupos de siriri têm diferenças entre si: há alguns mais lentos e outros têm batidas distintas na viola de cocho. "As diferenças valorizam a tradição. Por isso, devemos manter cada grupo do jeito que eles são."

"O cururu é pra cantá;
o cururu é pra dançá,
e agora vamos falá;
da linda Cuiabá"
(estrofe da composição "Avoa, Avoa Tuiuiú")

Veja vídeo sobre o Festival Cururu Siriri 2008:


O cururu é um ritmo tocado somente por homens que se vestem elegantemente, com improvisações e repentes elaborados na hora. Alguns versos são feitos de improviso, outros já estão na memória do povo. Segundo contam os "mestres", no passado, os versos eram feitos, entre outras coisas, para conquistar mulheres. O ritmo se apresenta em roda e, ainda hoje, mantém a característica de desafio, em letras que exaltam as belezas naturais da região, como a Chapada dos Guimarães e a fauna do Pantanal, e temas religiosos.

A viola de cocho, elemento essencial

Típica da região pantaneira, a viola de cocho é um dos instrumentos-base do cururu e do siriri. Mesmo com poucas notas, é um elemento fundamental para o ritmo. Esculpidas em madeira inteiriça de vários tipos, são feitas artesanalmente e levam cerca de oito dias para ficar prontas. Geralmente, medem 70 cm de comprimento e 25 de largura. São cinco cordas, confeccionadas de vários tipos de materiais, entre eles, a fibra vegetal e a linha de pesca.

Além da viola, o cururu e o siriri também são acompanhados pelo ganzá, conhecido como reco-reco, e pelo mocho ou tamboril, espécie de banco de madeira com assento feito de couro cru, instrumento que não pode parar de ser tocado durante a apresentação, já que sua batida é essencial para os ritmos. Para fazer cururu são necessários pelo menos dois cantadores, um tocando viola de cocho e outro ganzá.

Um dos produtores do instrumento mais requisitados do Estado é Alcides Ribeiro, filho de um dos cururueiros mais antigos de Cuiabá, Caetano Ribeiro dos Santos, conhecido por Seo Caetano, de 83 anos. Manoel Severino de Morais, 79, outro mestre do cururu, também ajuda na produção caseira do instrumento, que pode custar até R$ 480. Em Mato Grosso, há mais de 50 artesãos que produzem a viola de cocho.

Artesão mostra como produz a viola de cocho; veja:


O festival que acontece em agosto

Há sete anos, a festa elaborada para celebrar manifestações culturais típicas reúne grupos de todo o Estado e resgata a origem das culturas da região pantaneira. "Um povo sem cultura não existe", diz Dona Domingas.

O festival, que este ano aconteceu de 28 a 31 de agosto, é uma espécie de Carnaval típico e exclusivo de Mato Grosso. Logo após o término do evento, figurinistas, maquiadores, coreógrafos e professores talentosos já começam a trabalhar na preparação do ano seguinte, em que são escolhidas novas toadas, assim como os sambas-enredos do Carnaval, e são preparadas as novas coreografias. Os santos homenageados costumam acompanhar os grupos dentro e fora dos palcos e figuram entre os elementos cruciais das apresentações.

Segundo Dona Domingas, a parte religiosa serve para estimular o grupo. "Sem ela, a dança perde a força." Em 2008, o grupo Flor Ribeirinha homenageou a Nossa Senhora do Pantanal.

Festival Cururu Siriri de Cuiabá
Quando: em agosto
Onde: na praça Cururu Siriri, na região do porto, em Cuiabá (MT)
Quanto: entrada franca
Mais informações: www.festivalcururusiriri.com.br

* A jornalista LUNA KALIL viajou a convite da organização do festival

Fonte: UOL Viagem

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

"Tuiuiú", por Lucinda Nogueira Persona

Tuiuiú

De nossas necessidades
faço histórias, ponderações, estudos
explicação comum de tuiuiú em tenho:
ele passou da conta no crescer

o tuiuiú, quando acorda e abre as asas,
ultrapassa as bordas do amanhecer
deste modo,
o espaço aéreo só comporta um.

O tuiuiú é tão grande, tão grande que
ao levantar vôo
o céu sai de perto.

Por fim, Senhor meu, por fim
quando um tuiuiú vai a óbito
(por nesta vida não falta adversidade)
quando um tuiuiú vai a óbito,
as borboletas requisitam guindaste
(pelo meno para as penas - do lado do coração).

* Lucinda Nogueira Persona (1947, PR), poetisa, ficcionista infanto-juvenil, professora universitária, bióloga pela UFMT, Especialista em Política Educacional e Legislação do Ensino, também pela UFMT, e Mestre em Histologia e Embriologia pela UFRJ; realizou cursos de Aperfeiçoamento na Universidade do Chile. Ministrou cursos de Especialização e Reciclagem para Biólogos e Professores de Ciências. Obras: Ele Era de Outro Mundo (1997), A Cidade Sem Sol (2000), Leito de Acaso (2004), Por Imenso Gosto (1995), Ser Cotidiano (1998), Sopa Escaldante (2001); participa do Programa Poetas Vivos (1987) e da Na margem esquerda do rio: contos de fim de século (2002).


Tive o privilégio de ter sido aluno da professora e poetisa Lucinda Persona na disciplina de Embriologia, nos idos de 1990, durante o curso de Biologia da UFMT. E agora tenho o privilégio de postar algo seu aqui.


TUIUIÚ

Classe: Aves

Ordem: Ciconiformes

Família: Ciconiidae

Nome científico: Jabiru mycteria

Nome vulgar: Tuiuiú ou Jaburu

Categoria: Vulnerável

O Tuiuiú ou Jaburu (Jabiru mycteria), uma das maiores aves da América do Sul e o símbolo do Pantanal, além do seu tamanho, chama a atenção pelo seu enorme ninho feito de galhos de arbustos secos, construído em árvores como o "manduvi" (Sterculia striata), a "piúva" (Tabebuia impetigosa) ou em troncos de árvores mortas.

O Tuiuiú é uma ave de corpo robusto e chega a medir 1,15m de altura.

O bico, grosso e afilado na ponta, tem 30 cm de comprimento. O pescoço é preto e a parte do papo, dotada de notável elasticidade, é vermelha.

A cor predominante das penas no indivíduo adulto, é branca. Ele vive em bandos numerosos nas zonas de lagoas e rios piscosos, pois consome uma quantidade incrível de peixes. O ninho é feito com ramos entrelaçados no alto das árvores. Na época da incubação, enquanto um choca dois ovos, o outro fica de pé sobre a beirada do ninho em constante vigília.

O Tuiuiú tem grande capacidade de vôo, elevando-se a grandes altitudes. Quando descansa, na margem do rio ou lagoa, costuma ficar em uma só perna. Seu andar é deselegante e vagoroso. Alimenta-se além de peixes, de moluscos e anfíbios. Sua distribuição geográfica vai do sul do México até a Argentina, mas não é encontrado na parte ocidental dos Andes.

Fonte: www.ambientebrasil.com.br


terça-feira, 10 de junho de 2008

Talento Cuiabano agora fala para o mundo ouvir: Com vocês, Sady Folch!


Tá Creceno o Arraiá!!



Vidge nossa !! Tá creceno o arraiá !!
Ostro dia Vila Reá do Bom Jesus de Cuiabá,
Num foi tempo passô por lá,
Nhô Nezinho, nhô Neco e também Curimbatá...

Os povo que lá habita,
Proseia feito dona Nezita,
E se for pra proseá,
Num tem tempo de amargá...

Inté faláro dos poeta,
E dos sarás que tem por lá,
E os cantadô que num aquéta,
Virô nota de jorná...

Cunstruíro ponte nova,
Pra no rio podê passá,
Esses povo num tá prosa,
O que será do Cuiabá...

Rio belo e formoso,
Dotras vez a navegá,
Hodje pesca de barranco,
Nem isso tem pra acarmá...

Que sardade de Cuiabá!!!

Da cadêra de balanço,
Na varanda de dona Nhanhá,
Onde nóis buscava descanso,
Nos causo a nos contá...

Do poeta Sirva Freire,
Hóme iguar num tinha prosa,
Andava inté dez arqueire,
Pra falá de flôr formosa...

E de nhô Manuer de Barros,
Que pintchô de lá mucinho,
Foi prás banda do Corumbá,
Prá poetá os passarinho...

Que sardade desse tempo,
Das coisa que ficô lá,
Da natureza que era templo,
E dos pêtche do Cuiabá...

Hodje as ponte são moderna,
E os tropêro já não há,
Nem os gado mais inverna,
Mas resiste o meu ganzá...

Desta forma eu cantarei,
À siriema podê imitá,
E o cururu eu dançarei,
Prá tradição podê vortá.

Texto do cuiabano Sady Folch
Foto do cacerense Raimundo Reis


Cuiabá de Meus Sonhos, o que fizeram de Ti

MINHA QUERIDA CIDADE, QUANTA SAUDADE TENHO DE TI,
DE TUAS ALTAS PALMEIRAS E DO TEU CÉU AZUL QUE SÓ AÍ,
DO CALOR INTENSO QUE NOS ABRAÇA SÓ COMO TEU SOLO NOS FAZ,
TANTO QUERIA EU SABER SE TEUS SONHOS SOBREVIVEM REAIS,

QUANTAS SÃO AS MANHÃS EM QUE DESPERTO E ESTOU POR TI EM ACALANTO,
NÃO SEI AS CONTAR, POIS QUE SÃO TANTAS QUE JÁ NÃO SEI AFIRMAR,
AINDA QUANDO DERRAMAS EM TERRA LÁGRIMAS DE TEU PRANTO,
ÀS QUEIMADAS QUE TE IMPÕEM TENTANDO APAGAR,

ONDE ESTÃO AS MARGENS DE TEUS RIOS, QUANTO MAIS DO CUIABÁ,
QUE RECEBEU GRANDES NAVIOS EM TEU LEITO A NAVEGAR,
AS MATAS QUE PERMEIAM AS MARGENS DE TEUS RIACHOS,
O QUE FIZERAM DE TI, MINHA QUERIDA CUIABÁ,

TEUS PÁSSAROS NÃO GORGEIAM COMO DANTES ESTIVERAM LÁ,
TUA GENTE SENTE A FALTA QUE MARCOU O SABIÁ,
NÃO TE ESMOREÇAS NOSSA HISTÓRICA CUIABÁ,
POIS QUE DOS TRAUMAS TUA ALMA SUPERARÁ,

HOMENS DO PROGRESSO TOMARAM O TEU BRASIL,
O MODERNO QUE TE ALCANÇOU A VIDA CALMA SUCUMBIU,
E AINDA QUE NA CALADA DO TEMPO A MÁQUINA TE ATORMENTA,
RESTA-NOS A TUA FALA QUE A ALMA NOS ACALENTA,

JÁ NÃO SEI VIVER NESTE MUNDO TORTO E TÃO MUDADO,
QUE NÃO SE RESPEITA A VIDA E NEM MESMO AO SER AMADO,
JÁ NÃO SEI MAIS O QUE ESPERAR SE NÃO A TUA MORTE,
AO VÊ-LA TÃO ASSIM ARRANCADA DE TUA SORTE,

JÁ NÃO ESTOU MAIS PERTO DE TEU CHÃO E DO RIO QUE TEM O TEU NOME,
NEM DOS ANTIGOS QUINTAIS QUE ME DERAM DE CRESCER SEM FOME,
NO ALIMENTO ETERNO DAS FIBRAS DE TUAS MANGAS, E NOS CAROÇOS DAS GOIABAS,
E DAS TANTAS OUTRAS QUE EU AVISTAVA, COM OS OLHOS CHEIOS DAS JABUTICABAS,

QUANTAS SAUDADES DE TI QUE ME VIU MENINO,
DOS SABIÁS E DOS PARDAIS QUE LIBERTEI DA ALGIBEIRA,
DAS IDAS E VINDAS À CASA DE MEUS QUERIDOS AVÓS,
E DO QUE NOS CONTAVA UM VELHO EMPREGADO, DA TUA HISTÓRIA, TEU PORTA-VOZ,

TUA VIDA IDENTIFICADA NO CHÃO QUE PERMEOU A TUA FONTE,
IMORTALIZOU O SER QUE SOU, E DEU A MIM UM HORIZONTE,
QUE ME VOLTA A VISTA E NÃO NOS TEM SEPARADOS JAMAIS,
E CHEGARÁ O DIA EM QUE TERNAMENTE AOS TEUS PÉS ME RECOLHERÁS,

DOS DIAS EM QUE PASSEI BUSCANDO AS TUAS QUENTES SOMBRAS,
DESTES DIAS, TANTOS QUE PASSEM, NEM EU, NEM TU OS ESQUECERÁS,
E DAS TARDES EM BRINCADEIRAS DE MENINO EM BUSCA DAS PITOMBAS,
TANTAS SÃO AS LEMBRANÇAS A ME ENVOLVER NO SEIO DE MEUS ANCESTRAIS,

CUIABÁ DE MEUS SONHOS, QUE TÃO LINDA BRILHAVA NA AURORA,
TROUXE-ME AO PENSAMENTO A INSPIRAÇÃO DOS CONTOS DE OUTRORA,
E CERTIFICOU NA MINHA ALMA PARA SEMPRE A EXUBERÂNCIA DE TUA FLORA,
AGUARDA-ME AINDA QUE O TEMPO DESEJE ESTA DOLOROSA DEMORA,

DE MEUS DIAS DE CRIANÇA ESSES NÃO VOLTAM MAIS,
NUNCA MAIS...
MAS TU CUIABÁ QUERIDA, DOS MEUS TEMPOS DE CRIANÇA,
NÃO A ESQUECEREI JAMAIS.

Sady Folch


Sady Folch é um amigo, que assim se autodefine:

"Um peregrino convertido ao caminho das palavras, a buscar alívio para o desassossego da alma que habita o deserto da existência."

Escritor e poeta matogrossense, dono de um talento como poucas vezes eu vi, hoje mora em São Paulo e participa de um curso de formação para escritores. Por esse motivo, pra nossa sorte, precisou criar um blog.
Este blog, que merece toda a nossa reverência chama-se "Scriptor in Desassossego" e está à disposição de todos que se interessam por "palavras de qualidade" no seguinte endereço: http://sadyfolch.blogspot.com/ . Espero que apreciem como eu apreciei!
Não deixem de visitá-lo e acompanhar um conto em capítulos, que toda segunda-feira tem a sua continuação no Desassossego! Desvende os segredos de Elvira e Pedro...

terça-feira, 3 de junho de 2008

A Programação do XXIV FESTIVAL DE INVERNO DE CHAPADA DOS GUIMARÃES já está no ar!


XXIV FESTIVAL DE INVERNO DE CHAPADA DOS GUIMARÃES

"Chapada e o Sonho"

Notícias

Em 30 de agosto de 1883, Dom Bosco (santo italiano, nascido em 1815 e fundador da Ordem dos Salesianos) teve um de seus famosos sonhos. Um dos trechos que ele relatou diz o seguinte: Entre os paralelos de 15º e 20º havia uma depressão bastante larga e comprida, partindo de um ponto onde se formava um lago. Então, repetidamente, uma voz assim falou: "...quando vierem escavar as minas ocultas, no meio destas montanhas, surgirá aqui a terra prometida, vertendo leite e mel. Será uma riqueza inconcebível..."

Esses sonhos permitiram e permitem várias interpretações e há quem diga que esse lugar com o qual Dom Bosco sonhou é a Chapada dos Guimarães... O fato é que esse sonho poderia estar vislumbrando locais com riquezas naturais ímpares, ideais para o desenvolvimento de um turismo sustentável, vejam só:
A linha do Equador divide o planeta em hemisfério sul e norte. O paralelo S15 é uma linha paralela à do Equador que corta o Continente Sul Americano do Atlântico ao Pacífico em sua região central. Em seu caminho cruza com cidades cujo patrimônio ambiental e cultural é de grande valor para a humanidade. Dentre esses patrimônios, citamos, por exemplo: Porto Seguro e Ilhéus, Brasília, Perinópolis, Goiás Velho, Serra do Roncador, Cuiabá e Chapada dos Guimarães, Curvelândia, Reserva do Cabaçal, Vila Bela de Santíssima Trindade, Chiquitos Bolivianos, Lago Titicaca e Planície de Nasca.
A rota que permeia os locais acima citados foi chamada de "Rota do Sonho" (uma referência ao Sonho de Dom Bosco). Trata-se, por excelência, de uma Rota Mística e Cultural, nomes como Pedro Álvares Cabral, Lúcio Costa, Cora Coralina, Coronel Falcet, os Artistas da Carta do Coração da América, Pascoal Moreira Cabral, Dom Aquino Corrêa, os padres jesuítas, Erich Von Danikem, dentre outros se inter-relacionam em aspectos análogos de misticismo e cultura.
Neste contexto, outro conceito que merece ser lembrado é o de meridiano, que é a linha imaginária que resulta de um corte efetuado em um modelo geométrico da Terra por um plano que contém o seu centro. O meridiano contém os pólos e é perpendicular aos Paralelos e à linha do Equador. O cruzamento das linhas define a localização de determinado local na terra, marcando a longitude e a latitude. O Medidiano W55 atinge uma área que começa um pouco antes do Rio dos Peixes em Cuiabá e termina na Cachoeira da Fumaça em Jaciara, sendo que as águas termais da Serra de São Vicente também estão na linha.
Cuiabá, Chapada dos Guimarães, Campo Verde e Jaciara são os municípios que estão no cruzamento do Paralelo S15 com o Meridiano W55 (meridiano oeste, cinqüenta e cinco graus). Neste cruzamento geodésico estão concentrados 55 atrativos à margem de estradas e rodovias, cuja visitação ultrapassa 320 mil turistas/ano, segundo fontes da revista Exame Turismo 2007. Daí o nascimento da "ROTA W55" - uma rota riquíssima em atrativos naturais, culturais e místicos dentro do Estado de Mato Grosso. Em 2008, a "Rota W55" será trabalhada no conceito do tradicional evento do Festival de Inverno de Chapada dos Guimarães, cujo tema será "Chapada e o Sonho". O XXIV Festival de Inverno ocorrerá no período de 28 de junho a 05 de julho. Vale a pena conferir...

O 24° Festival de Inverno de Chapada dos Guimarães será lançado no próximo dia 10 de junho
Data: 30/05/2008

Da Assessoria do Festival

O 24° Festival de Inverno de Chapada dos Guimarães será lançado no próximo dia 10 de junho (terça-feira), no Salão Nobre do Palácio da Instrução, em Cuiabá, às 9 horas. Com o tema "Chapada e o Sonho", este ano o Festival se propõe a investigar e discutir a vocação mística da cidade de Chapada dos Guimarães, tendo como ponto principal o famoso sonho profético do missionário Dom Bosco, datado de 1883. O Festival acontece de 27 de junho a 5 de julho.

Este também será um festival “para todos os gostos e estilos musicais”, conforme observação da secretária de Cultura, Turismo e Meio Ambiente de Chapada, a jornalista Emyle Pellegrim, que está à frente da organização do evento. Ela se refere à eclética programação musical desta edição. Daniela Mercury, Cordel do Fogo Encantado, Dudu Nobre, Pitty e a dupla Mayck e Lyan estão entre as diversas atrações nacionais.

As atrações regionais já confirmadas são: Vanguart, Vera Capilé e Abel Santos, João Eloy, Macaco Bong, Paulo Manarco, Napoleão de Paula, Caruru, Cururucuia, Triêro, Côro Práticutucá, Grupo Som do Mato, Beija Flor e a Orquestra Sinfônica da UFMT, entre outros artistas e bandas.

A vasta programação cultural do Festival inclui ainda mostra de audiovisual, exposições de artes plásticas e fotográfica, artesanato, dança, teatro, apresentações folclóricas, lançamentos de livros e palestras com escritores. Sem falar nas programações ecológica e esportista, nas quais estão previstos eventos como as Caminhadas de Inverno, o 1º Campeonato de Paintball e outras atividades.

Chapada e o Sonho

O esoterismo de Chapada dos Guimarães, que abriga harmoniosamente várias religiões, é revisitado no tema principal do Festival, onde o Sonho do missionário Dom Bosco virá de pano de fundo para as atividades.

Há 125 anos, mais precisamente no dia 30 de agosto de 1883, o missionário – hoje santo - italiano, nascido em 1815 e fundador da Ordem dos Salesianos, relatou a visão de um local, entre os paralelos de 15º e 20º, onde existia “uma depressão bastante larga e comprida, partindo de um ponto onde se formava um lago” e que lá, "quando vierem escavar as minas ocultas, no meio destas montanhas, surgirá aqui a terra prometida, vertendo leite e mel. Será uma riqueza inconcebível".

Muitos acreditam que o lugar com o qual Dom Bosco sonhou é a Chapada dos Guimarães. A linha do Equador divide o planeta em hemisfério sul e norte. O paralelo S15 é uma linha paralela à do Equador que corta o Continente Sul Americano do Atlântico ao Pacífico em sua região central. Em seu caminho, cruza com cidades cujo patrimônio ambiental e cultural é de grande valor para a humanidade.

Dentre esses patrimônios, citamos, por exemplo: Porto Seguro e Ilhéus, Brasília, Pirinópolis, Goiás Velho, Serra do Roncador, Cuiabá e Chapada dos Guimarães, Curvelândia, Reserva do Cabaçal, Vila Bela de Santíssima Trindade, Chiquitos Bolivianos, Lago Titicaca e Planície de Nasca.

A rota que permeia os locais acima citados foi chamada de "Rota do Sonho" (uma referência ao Sonho de Dom Bosco). Trata-se, por excelência, de uma Rota Mística e Cultural.

O conceito deste ano do Festival de Inverno de Chapada dos Guimarães quer reforça a presença da cidade nessa rota.

Rota W55

O Medidiano W55 (meridiano oeste, cinqüenta e cinco graus) atinge uma área que começa um pouco antes do Rio dos Peixes, em Cuiabá, e termina na Cachoeira da Fumaça, em Jaciara, incluindo as águas termais da Serra de São Vicente.

Cuiabá, Chapada dos Guimarães, Campo Verde e Jaciara são os municípios que estão no cruzamento do Paralelo S15 com o Meridiano W55. Neste cruzamento geodésico, estão concentrados 55 atrativos à margem de estradas e rodovias, cuja visitação ultrapassa 320 mil turistas/ano.

Daí o nascimento da "ROTA W55", uma rota riquíssima em atrativos naturais, culturais e místicos dentro do Estado de Mato Grosso. Em 2008, a "Rota W55" será trabalhada no conceito do tradicional evento do Festival de Inverno de Chapada dos Guimarães. Um sonho de festival!



Programação de Shows de Expressão Nacional

28/06 - Daniela Mercury
29/06 - Cordel do Fogo Encantado
04/07 - Dudu Nobre
05/07 - Pitty
06/07 - Myck & Lyan

As atrações regionais já confirmadas são: Vanguart, Vera Capilé e Abel Santos, João Eloy, Macaco Bong, Paulo Manarco, Napoleão de Paula, Caruru, Cururucuia, Triêro, Côro Práticutucá, Grupo Som do Mato, Beija Flor e a Orquestra Sinfônica da UFMT, entre outros artistas e bandas.

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segunda-feira, 26 de maio de 2008



No ano em que Mato Grosso comemora os 100 anos da primeira exibição de um filme na capital mato-grossense, o Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá chega à sua 15ª edição. Nascido no ano de 1993 como "1ª Mostra de Cinema e Vídeo de Cuiabá", em 2008 abre uma perspectiva de revigoração do audiovisual no Estado.

Conforme o organizador Luiz Carlos Borges, a intenção deste evento é melhorar cada vez mais o canal de comunicação entre o cinema local e o Brasil. "O nosso cinema está 'bombando'. Este ano vamos exibir 17 longas-metragens", comemorou. Este ano serão exibidos mais de 100 filmes, durante 10 dias de programação, que tem início no dia 22 deste mês e vai até o dia 31. As exibições serão no Multiplex Pantanal, localizado na avenida historiador Rubens de Mendonça, CPA. Todas as mostras, competitivas e não competitivas, do 15º Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá serão gratuitas. Também estarão abertas ao público todas atividades paralelas do evento, que incluem seminários, oficinas, debates do cinema brasileiro e a "Mostra 100 Anos de Cinema em Mato Grosso", cuja data é tema do Festival.

"Essa é uma ocasião única para o público mato-grossense conferir o que há de melhor no cinema nacional, uma vez que muitos deles não chegam às locadoras e tampouco entram em cartaz nos cinemas comerciais", lembrou o diretor de programação do evento, Diego Baraldi.

Homenageado

O homenageado deste ano será Reynaldo Paes de Barros, cineasta mato-grossense que nasceu na fazenda Pindaival, município de Santo Antonio de Leverger e representa a trajetória centenária do cinema em Mato Grosso. Um cinema de terras distantes, lendárias, onde a realização de um filme é quase um ato heróico. Nesse sentido, o Festival exibe em sua programação três trabalhos de Reynaldo na sessão do homenageado: "Pantanal de Sangue", de 1971; "No Pantanal do Piquery", de 1975; e "Pantanal Até Quando", de 1978.

Programação

Na programação geral, o Festival irá oferecer quatro categorias competitivas: 17 longas-metragens, 15 curtas-metragens, 12 vídeos, sendo quatro mato-grossenses e 11 vídeo-clipes mato-grossenses, além de outras oito mostras: Três "Curta Latino", "Curta Mais", "Cinema Vai à Escola", "Sessão Especial", "Vídeos do Mato", "Curta Centro-Oeste", "100 Anos de Cinema em Mato Grosso" e "Festival no Bairro", que reunidas exibem mais de 40 produções cinematográficas.

Atividades paralelas

Além de trazer o que há de melhor na produção nacional, o Festival buscou oferecer uma série de atividades paralelas, que visam à formação de profissionais, como oficinas e seminários, reflexão acerca do audiovisual (debates do cinema brasileiro, encontro de pesquisadores em audiovisual, encontro do fórum dos festivais), além da formação de platéia crítica.

Além de informação e entretenimento gratuito, é importante ressaltar que neste ano espera-se que o Festival e suas ações recebam um público superior a 30 mil pessoas, durante 10 dias de programação. Em 2007, o Festival e atividades desenvolvidas paralelamente reuniram uma platéia superior aos 25 mil expectadores.

Primeira sessão em Cuiabá

Da primeira sessão em 1908 promovida pela firma Silva & Irmãos que adquirira o cinematógrapho da firma paraguaia Mendez & Nascimento, a exibição cinematográfica na capital do Estado, Cuiabá, tem como principal característica a ocorrência em espaços precários e extremamente inadequados à atividade. Caso a parte foram as memoráveis salas do Cine Tropical e Cine Bandeirantes que não sobreviveram à virada do centenário.

Programação: Você encontra no Site Oficial do Festival

Site Oficial do Festival: http://www.cinemaevideocuiaba.org/2008/

Fonte: adaptado de TV Centro América

Agora, divirta-se!


quinta-feira, 22 de maio de 2008

Tradição Matogrossense: Guaraná Ralado!

A Lenda do Guaraná
 

Um casal de índios pertencente a tribo Maués, vivia junto por muitos anos sem ter filhos mas desejavam muito ser pais. Um dia eles pediram a Tupã para dar a eles uma criança para completar aquela felicidade. Tupã, o rei dos deuses, sabendo que o casal era cheio de bondade, lhes atendeu o desejo trazendo a eles um lindo menino.

O tempo passou rapidamente e o menino cresceu bonito, generoso e bom.

No entanto, Jurupari, o deus da escuridão, sentia uma extrema inveja do menino e da paz e felicidade que ele transmitia, e decidiu ceifar aquela vida em flor.

Um dia, o menino foi coletar frutos na floresta e Jurupari se aproveitou da ocasião para lançar sua vingança. Ele se transformou em uma serpente venenosa e mordeu o menino, matando-o instantaneamente.

A triste notícia se espalhou rapidamente. Neste momento, trovões ecoaram e fortes relâmpagos caíram pela aldeia. A mãe, que chorava em desespero, entendeu que os trovões eram uma mensagem de Tupã, dizendo que ela deveria plantar os olhos da criança e que deles uma nova planta cresceria dando saborosos frutos.

Os índios obedeceram aos pedidos da mãe e plantaram os olhos do menino.

Neste lugar cresceu o guaraná, cujas sementes são negras, cada uma com um arilo em seu redor, imitando os olhos humanos.

(Lenda indígena / Bruxo-els)

Fonte: http://www.ufsc.br/~esilva/Lenda003.html

Eu tomo, todos os dias pela manhã o Guaraná Ralado, em pó, e me faz muito bem! Agora, se é afrodisíaco mesmo ou não, isso eu nunca vou contar. Só achei esquisito que eu como biólogo não conheça essa flor aqui:


quinta-feira, 15 de maio de 2008

141 Anos de Várzea Grande hoje: Homenagem ao Distrito de Bonsucesso

História de Bonsucesso


Situado a 15 quilômetros do centro de Várzea Grande, com 2747 habitantes, Bonsucesso caracteriza-se como terra de gente humilde, com ruas estreitas, alongando-se paralelamente ao Rio Cuiabá cerca de 1000 metros. Em 1948 era um distrito formador do município.

Justino Antônio da Silva Claro era o único proprietário daquelas terras no século passado. Dele, há inúmeros descendentes, os quais já dividiram as terras. A cana-de-açúcar é ainda a principal lavoura. Outros moradores locais foram Antônio Ferreira Gomes, Antônio Leite de Magalhães, João Pinheiro, Joaquim Magalhães, Miguel Ângelo da Silva Claro, João Vital da Silva Claro e João Gil da Silva, sendo todos de grandes famílias, que hoje moram em Bonsucesso, Cuiabá e Várzea Grande.

Engenho Dona Buguela

Além da cana-de-açúcar, também era fabricado aguardente e açúcar de barro.

No começo deste século ainda haviam casas rústicas, onde eram consagradas as festas juninas, reunindo cantadores de cururu e dançadores de siriri. A primeira escola mista de Bonsucesso é de 1908. A segunda surgiu no dia 16 de março de 1920. Em 1968, foi oficialmente inaugurada a igreja católica em missa oficiada pelo arcebispo Dom Orlando Chaves. As imagens São benedito e Divino Espírito Santo, doadas pelo coronel Ubaldo Monteiro da Silva que as trouxe de São Paulo.


Distrito de Várzea Grande Bonsucesso foi criado pela lei nº 126 no dia 23 de dezembro de 1948, e confirmada por lei 9.583 no dia 24 de dezembro de 1948.

Eu estive conversando e aprendendo sobre "devoção" com Dona Honorata:

Com muita honra eu lecionei em 1999 na Escola Municipal da Comunidade, denominada "Maria Barbosa Martins", que hoje volta à direção do competente Professor Tavares, e contribuí com a formação de alguns dos jovens que hoje são os valorosos cidadãos daquele lugar:

Um dia, meus alunos me disseram: "Professor, hoje somos nós que vamos ensinar o Senhor!" e me levaram até um Engenho e uma moenda de cana. Então me ensinaram como se faz as deliciosas rapaduras de Bonsucesso.

O peixe, como já era de se esperar de uma comunidade de pescadores, é um dos seus principais produtos para os visitantes.


Enfim... Um lugar onde as "Japuíras" ainda fazem seus ninhos, que deixa saudades!



Fotos: Marco Antônio de Mattos

Parabéns, Bonsucesso! Parabéns Várzea Grande, pelos seus 141 anos!


Mais sobre Várzea Grande no "By Osc@r Luiz"!

Até o dia 18 você também pode me ajudar, votando no meu post sobre o "Horário de Verão", no Blogueiro Repórter indo aqui.
E pela proximidade das datas e conteúdo do post, é com ele que registro minha participação na blogagem coletiva "
Coisas do Brasil" promovida pela Andréa Motta, que se realiza amanhã, mas o meu, já está no ar.

Próxima Blogagem Coletiva!

Também participo com posts em outros blogs: no "Flainando na Web", um glossário dos termos cuiabanos, e no "By Osc@r Luiz", as vertentes formadoras da música matogrossense e o rasqueado cuiabano. Visite se tiver a curiosidade.
Obrigado, Andréa, pela oportunidade de participar.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Parabéns Mato Grosso! Hoje o aniversário é todo seu!


Hino de Mato Grosso em todos os ritmos! Não deixe de ver isso!

Produção cinematográfica realizada pelo Sebrae em Mato Grosso. com direção e roteiro da minha talentosíssima amiga *Bárbara Fontes, para homenagear o Estado que mais cresce no País, seus cidadãos e àqueles que aqui chegaram para essa imensa transformação:




Hino de Mato Grosso

Letra: Dom Aquino Corrêa

Maestro: Emilio Heine


Limitando, qual novo colosso,

O ocidente do imenso Brasil,

Eis aqui, sempre em flor. Mato Grosso,

Nosso berço glorioso e gentil!

Eis a terra das minas faiscantes,

Eldorado como outros não há

Que o valor de imortais bandeirantes

Conquistou ao feroz Paiaguás!


(BIS)

Salve, terra de amor, terra do ouro,

Que sonhara Moreira Cabral!

Chova o céu dos seus dons o tesouro

Sobre ti, bela terra natal!


Terra noiva do Sol! Linda terra!

A quem lá, do teu céu todo azul,

Beija, ardente, o astro louro, na serra

E abençoa o Cruzeiro do Sul!

No teu verde planalto escampado,

E nos teus pantanais como o mar,

Vive solto aos milhões, o teu gado,

Em mimosas pastagens sem par!


Hévea fina, erva-mate preciosa,

Palmas mil, são teus ricos florões,

E da fauna e da flora o índio goza,

A opulência em teus virgens sertões.

O diamante sorri nas grupiaras

Dos teus rios que jorram, a flux,

A hulha branca das águas tão claras,

Em cascatas de força e de luz.


Dos teus bravos a glória se expande

De Dourados até Corumbá,

O ouro deu-te renome tão grande

Porém mais, nosso amor te dará!

Ouve, pois, nossas juras solenes

De fazermos em paz e união,

Teu progresso imortal como a fênix

Que ainda timbra o teu nobre brasão.


*Quem é Bárbara Fontes?

Bárbara Fontes é graduada em Rádio e TV pela UFMT. Trabalha com cinema documentário desde 1994, atuando como diretora, roteirista e montadora premiada internacionalmente. Trabalhou entre 1995 a 1998, no setor de Comunicação Social da ONG Instituto Centro de Vida (ICV) em Cuiabá. Entre 1999 e 2000, estagiou na TV Universidade (UFMT), onde produziu e dirigiu programas de entrevistas e documentários.

Em 2004, lançou o documentário “Arne Sucksdorff: Uma Vida Documentando a Vida”– depois de 10 anos de trabalho sobre a vida e obra do cineasta sueco que morou em Mato Grosso. Em 2005, dirigiu o documentário sobre o Festival Internacional de Coros, para Coordenação de Cultura da UFMT.

Em 2006, lançou o documentário “Vila Bela: Terra de Colores”– produzido através do concurso nacional DOCTV II. Em 2007, foi responsável pela montagem do documentário “Literamérica 2006″. Recentemente roteirizou, dirigiu e montou o musical institucional “Canção Mato-grossense – Hino de Mato Grosso” - para o Sebrae Mato Grosso. Desde 1994, Bárbara Fontes já trabalhou em mais de 20 documentários entre autorais e institucionais. Atualmente busca recursos para a viabilização do documentário “Pantaneiras” e trabalha na pesquisa histórica do longa-metragem de ficção “Adrien” filmagens previstas para 2010.


Símbolos Mato Grosso


Durante o período colonial, o estado do Mato Grosso acatava, e por assim dizer utilizava dos símbolos oficiais de Portugal. Quando da Proclamação da Independência, em 1822, o estado passou a respeitar os símbolos oficiais do Império Brasileiro.

Com a Proclamação da República (1889), cada um dos estados já existentes ou em fase de criação obtiveram o direito de criar e usar seus próprios símbolos, dentre eles Mato Grosso.


Hino

Devido a grande extensão territorial do estado no início de sua formação, abrangendo os municípios de Ponta Porã e Guaporé, hoje respectivamente anexados ao Mato Grosso do Sul e Rondônia; mesmo havendo o desmembramento dos estados (criação do Mato Grosso do Sul) o Mato Grosso continuou sendo o terceiro maior estado brasileiro.

Assim sendo, justifica-se a referência das cidades de Corumbá e Dourados na letra do hino mato-grossense.

Foi Dom Francisco de Aquino Corrêa o autor da letra da “Canção Mato-grossense” reconhecida no ano de 1983 como hino oficial do estado.

Porém, antes disso, a canção havia sido executada e, 1919, pela primeira vez, na cerimônia do bicentenário de Cuibá.

Durante longa data, o hino, mesmo não sendo oficial foi cantado nas escolas; a não-oficialização do hino possivelmente tenha ocorrido por fatores políticos diversos advindos dos sucessores de Dom Francisco de Aquino Corrêa. Com a implantação do “Estado Novo” todos os símbolos oficiais do estado foram abolidos, restabelecendo-se seu uso em todos os estados, sendo que Mato Grosso só apresentava como símbolo a bandeira e o brasão de armas. O hino era oficial para a população mato-grossense tendo sido oficializado pelo governador Júlio José de Campos pormeio do Decreto n. 38, de 03 de maio de 1983.


Bandeira

É o mais antigo símbolo oficial do Estado do Mato Grosso. Foi criada pelo General Antonio Maria Coelho através do Decreto n.2, de 31 de janeiro de 1890; 73 dias após a data de criação da Bandeira Brasileira.

A bandeira mato-grossense em muito se parece com a brasileira, principalmente em suas cores, não em sua disposição. É formada por um retângulo azul, com losango branco; ao centro uma esfera ou globo verde e uma estrela amarela (cinco pontas) tocando as extremidades da esfera.

  • Retângulo Azul: corresponde ao céu, como na bandeira nacional; representa também a evolução de um princípio espiritual, a busca da perfeição.

  • Losango Branco: lembra o culto à mulher, à pureza; significa o zodíaco além da paz, da concórdia na política e, o otimismo e a virtude no lado psicosocial.

  • Esfera ou globo Verde: representa a soberania, a grandeza territorial. O verde caracteriza a esperança, a juventude; busca desenvolver a consciência para a convivência equilibrada e sustentável do homem com o meio ambiente.

  • Estrela Amarela: retrata a humanidade voltada para o firmamento em busca de respostas às perguntas. Este foi um dos mais importantes símbolos dos ideais republicanos. Sua coloração – amarelo – lembra o ouro, uma das riquezas mato-grossenses.


Brasão de Armas

A frase “Virtute Plusquam Auro” chama a atenção para o brasão estadual, sua tradução diz “Pela virtude mais que pelo ouro”.

Dom Francisco de Aquino Corrêa governou o estado no período de 1918 a 1922. No início de seu governo eram muitas as dificuldades, consequência da Primeira Guerra Mundial e da gripe espanhola; para tanto o governante buscou na virtude de seus ideais a solução para os problemas.

Foi durante seu primeiro mandato que Dom Francisco enviou à Assembléia Legislativa a proposta de criação de um Brasão de Armas. Enquanto o estado não tinha seu próprio brasão, a bandeira era o símbolo do estado.

De forma simples e compreensiva, assim é composto o Brasão de Armas do estado do Mato Grosso.

Escudo em estilo português (ponta arredondada) no qual está simbolizado um campo de sinople (verde), uma “montanha” de ouro (amarelo) e, o restante do escudo tomado pelo céu. Sob o céu um braço armado empunhando uma bandeira com a cruz da Ordem de Cristo. No alto do escudo uma fenix de ouro como timbre. Ladeando o escudo dois ramos, um de seringueira e outro de erva-mate entrelaçados pela fita com os dizeres: “Virtute Plusquam Auro”.


Parabéns, Mato Grosso!

Fontes: You Tube e Ambiente Brasil